Opinião

A trajetória de Pacheco

Por Luiz Gonzaga Fenelon Negrinho

8 de novembro de 2021

O presidente do Senado Rodrigo Pacheco deixou o Democratas e foi para  o PSD de Gilberto Kassab.  O motivo da mudança de partido sinaliza para possível candidatura nas próximas eleições presidenciais.
A questão é saber se sairá candidato numa suposta terceira via ou se sairá candidato a vice do presidente Lula. Meras especulações. É o que consta dos ‘autos’ e bastidores.
Como de bobo não tem nada, o líder petista sabe que tudo de importante passa por Minas e que Pacheco fortaleceria e muito suas pretensões na corrida presidencial. Sem dúvida, Pacheco é um bom quadro para fim de consolidação da agremiação escarlate. Uma espécie de xeque-mate contra o bolsonarismo. Ou legitimo candidato “contra extremos” – é como suas bases assim o define.
Ainda que haja resistência por parte de bolsonaristas, inegável que Lula continua com vantagem considerável nas pesquisas, bem à frente de seu opositor, o atual presidente Jair Bolsonaro. Atrás dos dois, os números indicam gatos pingados. Não há, portanto, na atualidade, uma única possibilidade a ser aventada para uma terceira via.
Pelo sim pelo não, o ‘mineiro de Rondônia’ se ajustaria perfeitamente nos braços conjunturais do Partido dos Trabalhadores. Falem o que quiserem de Luiz Inácio Lula da Silva. Imbecil não é. Como jogo é jogado, lambari pescado, é aguardar os contornos para 2022.
A princípio, uma jogada inteligente, oportuna e esperta. A política, como que um tabuleiro de xadrez, tem suas nuances, motivações e peculiaridades.
E vamos aos fatos: ainda que não aceitem a verdade, as pesquisas de intenção de voto nos últimos dias apontam que 60% dos brasileiros votantes estão fechados com Lula e o atual presidente da República. A isso se chama polarização. A identidade política de extremos. Portanto, uma terceira via, a essa altura do campeonato, seja esse ou aquele candidato, está fora de cogitação. Alguém arriscaria? A menos que fatos abortivos aconteçam. Por enquanto, não. Está certo, falta quase um ano para as eleições.
A propósito de Lula e Pacheco. Se volvermos os olhos para um passado não muito recente, vamos nos deparar com o então candidato Lula à cata de forças conservadoras para auxiliá-lo no seu intento de chegar ao poder. E conseguiu. Sem o jatinho do mineiro Zé não teria chegado ao poder.
Foi através do mega-empresário José Alencar Gomes da Silva que o líder petista conseguiu o seu intento, tendo governado o Brasil de 2003 a 2006 e de 2007a 2011. Portanto, dois mandatos consecutivos.
A pergunta que muitos fazem é se Pacheco deve sair candidato da tão sonhada terceira via, lembrando, para o que der e vier. Ou se a vice na chapa de Lula para aglutinar forças para derrotar essa patuscada que toma conta do país de ponta a ponta. E vem nos envergonhando no concerto das nações. Eis a questão. Ninguém aqui defende os extremos. Pelo contrário.
Vamos por partes. Numa análise fria, sob o ponto de vista político conjuntural, devemos, antes, considerar os valores de Rodrigo Pacheco. Fina inteligência, capacidade de articulação política invejável. Lembrando que de forma alguma vai deixar se levar por irregularidades de outrora. Nem há tempo para isso. E não menos relevante, a lembrança da canção de 14 Bis: “a sua linda juventude”. E a maré pela qual está passando é propícia e conta muito. Ao estilo Horácio é aproveitar a colheita com sabedoria.
Carpem diem é a expressão a ser apreciada. Que Pacheco usufrua da melhor forma possível seus presentes. É ato personalíssimo para um democrata sem presunção de negócio. Presunção de negócio é característica dos maus gestores públicos.
Podem achar maluquice. Aos olhos de muitos que o seguem – se houver brecha – Pacheco deve sair candidato a vice-presidência na chapa de Lula e por uma simples razão. O vocábulo a ser lembrado, explicado e demonstrado, no inegável, é o trampolim. Isso mesmo: trampolim.
Pergunta-se: não será por essas injunções políticas que Rodrigo Pacheco poderá chegar ao Palácio do Planalto e tornar seus sonhos realidade, conforme certa feita sua mãe sinalizara a amigos em Passos? “O sonho de meu filho é ser presidente da República”. Ao que, incontinenti, falaram: “Mais uma viajante na nave estelar da maionese”.
Pode ser, pode não ser… Mas anda acontecendo tanto e tão rápido e as chances não podem ser desperdiçadas. O cavalo está arreado às portas. E o sonho da ‘protetora do lar’ pode tornar-se realidade.
Não há como fugir dessa verdade. Não é preciso recorrer a outras análises, ponderações e possibilidades de cunho pragmático.
No caso de conjugação político-eleitoral, por certo o jogo seria mais ou menos esse: Lula usaria Pacheco para suas pretensões eleitorais. Por que não? Pacheco, no inverso do conveniente, usaria o momento de Lula para, num futuro breve, constituir o seu momento.
A previsão materna poderia assim se consubstanciar para o bem do país. E com o perdão a São Francisco, “no é dando que se recebe”, um louvável e factível toma lá dá cá é perfeitamente compreensível no mundo da boa política.
Mais uma vez se diz, solenemente: a sorte é lançada. Fica assim o registro, na boa utilização da expressão ‘carpe diem’.
Tomara que o Brasil ganhe com esse dom profético. Tomara. É o que mais se deseja e quer.

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, escreve aos domingos nesta coluna. ([email protected]