Opinião

Essas mulheres

POR PAULO NATIR

22 de Maio de 2021

É preciso ter muita fé em São José e em Nossa Senhora de Fátima. São José é esposo de Maria, modelo de Pai e protetor da Sagrada Família. Ele foi escolhido por Deus para ser o patrono da Sagrada Família. Sua festa comemora-se no dia 19 de março. Já São José Operário é homenageado no primeiro dia de maio. Na semana passada, no dia 13, comemoramos com muita espiritualidade o dia de Nossa Senhora de Fátima – aquela que apareceu aos pastorzinhos lá em Portugal.

Serenidade é uma virtude para ser manifestada principalmente nos momentos mais difíceis. Segurando forte nas mãos de Deus foi o principal consolo que minha família teve nos últimos dias, após o falecimento de minha mãe Aparecida Vieira. No domingo retrasado ela dormiu enquanto tomava o café da manhã e não acordou mais. Ficou internada oito dias na UTI da Santa Casa e foi dormir eternamente. Os médicos informaram que ela possivelmente foi vítima de um AVC.

O que fazer ou dizer nesses momentos dolorosos. Em um de seus poemas o professor e poeta Gilberto Abreu resumiu muito bem essas situações: “As palavras fogem/ As palavras somem/ Nada expressam/ Não se alinham.” Porém, a solidariedade e a empatia nesses momentos são fundamentais. Envio aqui um enorme abraço a todos amigos que nos consolaram nesses dias muito tristes. Um carinho especial a toda equipe da Santa Casa, especialmente aos profissionais responsáveis pela UIT que não mediram esforços para socorrer minha querida mãe. Que ela descanse na paz do Senhor. Agradeço muito a Deus pelos seus 90 anos de intensa luta e muita alegria. Muita gente vai sentir falta principalmente dos pasteizinhos que ela fazia há mais de 50 anos. Minha mãe nunca esteve de férias e sempre trabalhou com muito amor.

Ainda chorando a perda da matriarca da família recebo, na semana passada, a lamentável notícia da morte de minha sobrinha Paula Fernanda. Abalada com a morte da avó ela teve um mal súbito – seguido de uma parada respiratória. Somente Deus para nos consolar nesse momento de intensa dor. Ela tinha 36 anos. Paula testou positivo para Covid-19, mas estava sem sintomas. É muito difícil saber se o coronavírus teve influência em sua morte precoce.

Para agravar meu sofrimento, na semana passada recebo a triste notícia da morte da escritora Hilda Mendonça. Ela foi vítima das complicações da Covid-19. Há cerca de um mês, Hilda esteve em minha casa para me presentear com dois livros geniais. Um de sua autoria que foi publicado pela editora Scortecci, em 2 019 com o título “Se for sair, feche a porta”. Essa obra é muito envolvente e foi prefaciada pelo psicólogo e colunista dessa Folha, Ivan Maldi, que entre outras coisas escreveu: “Hilda nos leva a pensar sobre a vida, nossos desejos e vontades, nesse duelo entre a razão e a emoção”. Se tiverem oportunidade leiam essa obra extremamente interessante.

Mineira de Alpinópolis, nossa querida Ventania, Hilda estudou Letras e depois foi para Brasília onde começou lecionando em escolas particulares. Prestou concurso para a Secretaria de Estado de Educação, onde trabalhou até sua aposentadoria. Ela publicou 32 livros nas áreas de conto, folclore, poesias, romances, literatura infantil e juvenil. Há dez anos manteve um caderno infantil na revista Foco Magazine e ainda teve participação em dezenas de antologias por todo país e desenvolveu um trabalho voluntário com deficientes visuais. Recebeu diversas premiações, medalhas e troféus em decorrência de sua vasta obra literária.

Outro belo livro que Hilda me ofereceu foi uma das únicas antologias feminina do Estado de Minas Gerais. Ela escreveu em parceria com outras oito escritoras da Associação dos Escritores de Passos e Região – da qual Hilda era fundadora. O livro foi ilustrado pela brilhante artista e escritora Iara Oliveira e foi publicado pela gráfica e editora São Paulo. O livro “Mãos Amigas” foi a última obra com a participação da genial Hilda Mendonça. Sua extensa e rica obra vai ser apreciada por toda eternidade, principalmente pelos inúmeros fãs de Passos e região. Descansem na Paz no Senhor. Até um dia desses….

PAULO NATIR é Jornalista