Opinião

O preço das escolhas

Gilberto Almeida

17 de junho de 2022

“Nossa atitude atrai semelhantes! Diga me com quem andas e te direi quem tu és soa familiar por ser comum a toda natureza! Nenhuma ovelha se comporta como cão, mesmo estando em pele de lobo! Da mesma maneira que vestindo pele de cordeiro os cães não passam a se alimentarem de capim!” – Roberto Lazaro Silveira

Na vida, como na política, temos que pagar o preço de nossas escolhas. A todo momento nos deparamos com encruzilhadas que nos conduzem a optar pelo caminho que julgamos o melhor e o que vai nos levar ao destino desejado. A escolha do caminho começa ainda quando criança e adolescente, nos aproximamos de grupos e amizades que identificam com o que verdadeiramente desejamos. O aluno tentado a matar aula para divertir – e convenhamos uma pelada de futebol pode ser muito mais atrativa que dedicar aos livros – a administração da fase natural da rebeldia quando a encruzilhada das drogas e da delinquência se apresenta, a escolha da profissão, a busca e a escolha do trabalho, a definição do casamento e assim por diante, mostra que nossa vida é um eterno escolher, buscar caminhos, decidir.

Quantas são as escolhas erradas na vida e muitas delas irreversíveis! E onde está o erro da escolha? Falando pela minha experiência, confesso que errei muito na vida, quando tomei decisões no calor da emoção, seja pela euforia ou seja pelo fracasso, seja pelo sabor da vitória ou pela dor da derrota e mesmo pela observação da decisão da maioria dos que me cercavam, sem me aprofundar suficientemente e obter todas as informações necessárias para fazer meu próprio juízo e para evitar o imediatismo, mas sim decidir com as informações presentes, projetando as consequências futuras. Se existem pessoas que dizem que se voltasse o tempo faria tudo exatamente como fez, confesso que no meu caso teria a mais esplêndida oportunidade de passar a limpo e revisar muitas das escolhas que pratiquei em minha vida. Mas a pior de todas as conselheiras para fazer a escolha certa, é aquela que busca o caminho aparentemente mais fácil mas que, muitas vezes, se torna um formidável atalho para a derrota e até mesmo a humilhação. Para decidir bem, a capacidade de ver o mundo com os olhos da verdade, da coerência e da compatibilidade com a história vivida, são fundamentais para que, independentemente do êxito da escolha, sempre sobrará um resíduo de respeitabilidade e honradez que permitam o recomeço, a reconstrução.

E na seara política é da mesma forma! As candidaturas que se apresentam para as próximas eleições, carregam consigo uma história, uma trajetória, que formou conceito nas pessoas identificando o que representam e o timbre que pretendem dar no exercício de seu mandato. A história do Brasil nos mostrou que adversários políticos se uniram em movimentos históricos para o restabelecimento da democracia plena no país, como a Frente Ampla com Lacerda, JK e Jânio, ou a Frente Liberal comandada por Tancredo e Aureliano Chaves. Entretanto não eram estas frentes, nenhum jogo de interesses e jogo do poder como por exemplo acontece hoje com a junção de Alkimin e Lula. O Brasil e até mesmo setores do lulopetismo estão estarrecidos com a facilidade que políticos de hoje têm de rasgar suas biografias quando a conveniência e o oportunismo político prevalece. Não entrando na análise da honradez dos candidatos, vamos focar no estilo político, naquilo que representam e o propósito de misturar candidatos aparentemente tão diferentes, especialmente se pensarmos no discurso das últimas campanhas para presidente da República. A vontade de tomar o poder desmancha todas as crenças e ideologias e o que acabam fazendo é uma confusão na cabeça do eleitor que antes escolheu entre um e outro e agora vê os dois juntos.

Em Minas Gerais está acontecendo também uma verdadeira miscelânea política, seguindo o mesmo rumo do que ocorre em Brasília. O PSD, tradicional partido de centro, lança o ex prefeito de Belo Horizonte para o governo do Estado e coliga com o PT que indicou o candidato a vice-governador. A virada à esquerda do partido tem rendido sérias controvérsias, quando a bancada federal do partido não aceita o candidato do PT e apoia Bolsonaro e por sua vez é visível a má vontade do lulopetismo em apoiar de corpo e alma a candidatura à reeleição do Senador Alexandre silveira, sentidos que estão de cederam a candidatura de Reginaldo Lopes para viabilizar a coligação. O PL, por sua vez, viu a candidatura do senador Viana sendo imposta pela cúpula do partido em Brasília, mas pelo menos 8 dos 10 deputados estaduais filiados ao PL, já declararam o voto em Zema. A União Brasil, também de Brasília, anunciou apoio a Kalil, o que não foi bem visto pelos parlamentares mineiros que são próximos a Romeu Zema. AA imprensa inclusive anunciou para ontem a noite um jantar entre o deputado Bilac Pinto, cotado para se candidatar a vice, com o governador Zema. Já o Parido do Governador, o Novo, anunciou o ex secretário Simões formando chapa pura para o governo de Minas o que bagunçou ainda mais o coreto. Ainda resta a dúvida do que será a postura do MDB e do PSDB que mesmo perdendo a condição de protagonistas da política, ainda são cobiçados pelos valores do fundo eleitoral e do tempo de TV.

Enfim chegamos a Passos: com a posição tomada pela União Brasil a favor das candidaturas de esquerda, fico aqui pensando qual será a escolha de Sua Excelência o Prefeito Municipal, que sempre foi um forte aliado do presidente Bolsonaro e agora pode compor uma chapa contrária. Seria mais um momento de esquecer o que foi dito na campanha e na história, como de fato parece ter sido seu plano de governo, e tomar um rumo antagônico?
Já os candidatos ao parlamento, o único que parece confortável em se posicionar é o professor Hélvio Maia, forte defensor do Presidente da República. Já os candidatos Renato Andrade e Cássio Soares do PSD, se escolherem caminhar com seu partido, deverão apresentar aos seus eleitores, o apoio ao ex presidente Lula e Kalil, o que pelas características de nossa região pode ser um fator de desgaste, independentemente do resultado das eleições.

E, do meu canto e de minha condição de ex-político, que foi filiado a apenas um partido político a vida toda, mas que sempre estará, como cidadão, atento aos que acontece em Passos, fico a matutar se nós não perdemos também valores, que ao que parece foram abandonados, como companheirismo, lealdade e idealismo.

Certamente nos tempos de Pato e Peru, em que pese as ferrenhas contendas políticas, era tudo melhor que hoje, até porque todos sabiam quem era quem.

Ainda bem que os políticos enfrentam periodicamente eleições, pois será o momento de cobrar-lhes o preço de suas escolhas.