Opinião

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24 de agosto de 2023

GILBERTO ALMEIDA

A revolta latente

“Quem muito quer mostrar o que é… Não é o que mostra!” – Elissandro Sperb
Há pouco mais de um ano das eleições municipais, embora a população ainda não tenha se envolvido com política e nem mesmo comente o assunto, os bastidores da política passense já começam a esquentar. Muitos nomes começam a surgir, uns se apresentando e outros sendo lembrados, mesmo sem a garantia de aceitarem candidaturas, mas todos já se movimentam de forma cada vez mais intensa, em busca de construir apoios que garantam a viabilidade eleitoral.

Candidatos a vereador, mais de uma centena, já começam as tradicionais visitas em busca de militantes para impulsionar sua campanha eleitoral. Mas o que mais motiva as articulações políticas, sem a menor dúvida, são as candidaturas a Prefeito e vice Prefeito.

Em Passos teremos mais uma vez o lado situacionista apostando no “Dividet impera”, para assim, ampliar as chances de vitória. Bom lembrar, que nas eleições de 2020, o candidato vitorioso se elegeu com cerca de 17% do número total de eleitores, em razão de 7 candidatos estarem na disputa. A oposição por sua vez, tenta articular uma união que se é pouco provável, pelo menos tenta reduzir ao máximo o número de pleiteantes. Assim, começam a ser lembrados muitos nomes para enfrentar o atual Prefeito.

Fábio Kallas e Renatinho Ourives, nomes conhecidos e de capital político significativo, podem aparecer até mesmo em chapa unificada, sendo um deles Prefeito e o outro vice. Tanto Fábio quanto Renatinho trazem consigo uma espécie de antítese dos governistas: Fábio mostrando-se como um candidato preparado e austero para contrapor ao desatino e a inanição administrativa, muitas vezes demonstrada pelos atuais inquilinos do Cortiço do Rosário. Resta saber se sua candidatura reúne condições de elegibilidade o que o torna um candidato potencialmente forte.

Renatinho Ourives, antecessor do atual prefeito, tem como contraponto ao governo, o fato de ter enfrentado um mandato de muitos problemas financeiros, não somente por ter recebido a Prefeitura com muitas dívidas, mas também com relação à crise provocada pela pandemia e o irregular confisco de recursos dos cofres municipais realizado pelo governo do PT de Fernando Pimentel, e mesmo assim ter organizado as finanças públicas entregando os cofres cheios a seu sucessor. A notável responsabilidade fiscal de Renatinho Ourives lhe garante força política, especialmente no eleitorado mais esclarecido e nos formadores de opinião.

Em 2020, na reta final de campanha, o médico Dr Aquiles esteve a um passo de se sagrar vencedor, o que não aconteceu em razão de desatinos praticados nas mídias sociais, o que deixou especialmente o eleitorado feminino indignado. Sua nova tentativa visa atrair o eleitorado que busca mudanças radicais e profundas por ele prometidas. Resta-lhe o desafio de mostrar um discurso que poderá ser compreendido como factível e não bravatas eleitorais.

Não podemos ainda deixar de citar o nome do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, segundo colocado em 2020, que embora tenha manifestado seu desinteresse, é um nome respeitado e que, por ter sido o principal rival, pode capitalizar os desgastes do governo.

Surge ainda a eventual candidatura do primeiro suplente de deputado Federal Renato Andrade, político com grande capilaridade eleitoral em Passos e que pode arregimentar um forte grupo de apoio. Resta saber como ficaria a situação de seu partido PSD, possível escolha partidária do atual Prefeito.
Juarez, candidato petista, pode ser fortalecido pelo apoio do governo federal e já conta com um eleitorado partidário cativo de 10% do eleitorado, será o representante da esquerda.

Sua Excelência o Senhor Doutor Prefeito Diego Rodrigo de Oliveira, desponta como favorito a conquistar sua reeleição, fato inédito na história de Passos, entretanto, para confirmar esse favoritismo, há questões a serem resolvidas tanto na seara política, quanto administrativamente. No campo político a grande equação será a escolha do candidato a vice.

Os bastidores da política indicam que o nome do Coronel Arlindo não seria o preferido do Prefeito, que teria opção por seu Líder na Câmara o Vereador Maurício da Silva e dentro do PSD ainda surgem nomes como o da Presidente da Câmara Aline Macedo e do ex Presidente Alex de Bueno. É uma tarefa difícil evitar descontentamento com o desfecho do nome do vice.

Na análise do que teria o governo a apresentar para obter outro mandato, se por um lado inequivocamente a conquista da Heineken é o ponto de maior destaque positivo, existem questões que produzem uma revolta latente que eclodirá durante a campanha eleitoral.

O centro maior de todo o desencanto, está nas questões de saúde que continua sem oferecer serviços de qualidade mínima aos usuários do SUS Problemas na Upa, falta de medicamentos, desorganização na oferta de profissionais, não se resolvem simplesmente melhorando a rede física e este tema será abordado aqui oportunamente.

O certo é que o sistema municipal de saúde tem deixado muito a desejar. Outro aspecto que tem produzido repulsa popular se refere à inacreditável e infinita novela da pavimentação de vias públicas. Depois de 3 anos com recursos recebidos do deputado Emidinho Madeira, a Administração ainda patina na inapetência administrativa com prorrogações e reajustes que geram dúvidas e nada se concretiza, mesmo se tratando de 18 ruas apenas.

Além disso, muitos questionamentos sobre o uso de recursos públicos, tais como a aplicação de polpudas verbas em publicidade e divulgação, com uma contratação por inexigibilidade, mesmo sendo proibido taxativamente pela legislação, a falta de transparência nas contratações e nomeações de funcionários.

O mais recente questionamento se refere aos expedientes utilizados para repasses de recursos públicos para entidades, que podem não estar com o suporte adequado na lei que é a assinatura de convênios com acompanhamento fiscalização e prestação de contas.

Há muitos outros pontos que poderiam ser apontados e que exasperam as pessoas ao assistirem pomposos vídeos de Sua Excelência, que em pouco tempo se tornam falaciosos. O tom despojado que é apresentado em vídeos, pode soar forçados e devem, até pela insistência, se tornarem engulhosos para as pessoas, mais ainda quando não passam de fanfarronice, sem produzir nada de objetivo. Aos que não acreditam, sugiro uma boa conversa com moradores da Rua Varginha, que mereceram vídeos ufanistas, junto com um deputado, comemorando que lá seria a primeira rua a ser pavimentada. Só que não…

GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA é engenheiro eletricista e ex-político, escreve quinzenalmente às quintas nesta coluna