Mulheres relatam rotina de assédio e lutam por respeito

Foto: Reprodução.
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Lívia Peres

PASSOS – Moradoras de Passos apontam que os casos de assédio sexual podem ser considerados como rotina na cidade. Nesta quinta-feira, 7, a Folha ouviu 20 mulheres para comentar sobre o Dia Internacional das Mulheres e os desafios na cidade. Dezoito delas apontaram que o assédio sexual por parte dos homens é um problema na cidade.

Para a advogada Larissa Franklin, além de casos de assédio, também há discriminação e desrespeito. “Ser mulher é difícil em qualquer parte do mundo. Em Passos não é diferente, há muito desrespeito, assédio e discriminação”, afirma. Segundo ela, é preciso união e perseverança. “Que tudo começa pela nossa união, nossa perseverança e mudanças diárias. Vamos buscar aprender autodefesa e a ajudar outras mulheres”, aponta.

A estudante universitária Manuela Pascoal afirma que as mulheres enfrentam, cotidianamente, assédio quando estão andando nas ruas ou em outros locais públicos. “O que mais acontece comigo é o assédio, como gritarem na rua frases que incomodam muito e, principalmente, porque são homens gritando. Às vezes eu até respondo, mas na maioria das vezes é tão rápido que só percebo depois de um tempo”, diz.

A também estudante universitária Giovanna Assis aponta que falta segurança e que é preciso acreditar e lutar por um futuro com equidade.

“O paraíso para as mulheres em Passos seria uma cidade segura. Uma cidade que poderíamos andar sem medo e sem receio de sair e com que roupa usar. E o recado que eu deixo é que, nós mulheres, não deixemos de acreditar em um futuro bom, de equidade. Precisamos de muita luta para chegar lá, mas a felicidade e segurança é um direito de todos, com luta podemos conseguir, sempre uma apoiando a outra”, afirma.

A jornalista Júlia Marques, afirma que as mulheres devem lutar para atingir os objetivos de igualdade. “A gente tem que lutar sim. Não adianta a gente se contentar. Vamos procurar saber mais sobre os movimentos feministas da cidade, as implementações das mulheres na cidade e continuar sempre na luta para atingirmos nossos objetivos”, afirma.

Nesta quinta-feira foram divulgados os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mostram crescimento de 8,2% no número estupros e de 6,1% no de feminicídios em 2023. Segundo o anuário, foram 74.930 estupros, recorde histórico, o que corresponde a um a cada sete minutos. No ano passado, 1463 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. Em Minas, foram183 casos.

Preconceito e machismo limitam crescimento feminino, diz Aline Macêdo

PASSOS – O preconceito e o machismo limitam o crescimento e a evolução das mulheres no município de Passos, afirma a presidente da Câmara da cidade, Aline Macêdo. Para ela, a desigualdade prejudica a conquista e o avanço das mulheres em cargos de liderança e o desenvolvimento em vários setores da sociedade.

“Apesar do porte e de estar em plena evolução, a existência de preconceitos machistas na sociedade limitam o crescimento das mulheres na cidade e até mesmo que ocupemos mais posições e cargos de destaque, decisão, liderança e chefia”, afirma.

Segundo ela, “as mulheres possuem condições e competências para desempenhar papéis de destaque em todos os setores da sociedade, mas o preconceito ocorre até mesmo no ambiente feminino. Às vezes, o julgamento e concepções estão tão enraizados que, entre nós mulheres mesmo, falta esse apoio, entendimento e união”, aponta a parlamentar.

Para que a sociedade evolua e torne o município melhor para as mulheres, a presidente da Câmara afirma que é preciso ter conscientização e educação para a mudança. “Conscientização, só com educação podemos mudar padrões já estipulados e se deve começar o mais cedo possível, ainda em fases iniciais”, disse.

Para comemorar o Dia Internacional das Mulheres, Aline aponta que é preciso união, apoio e parabenização às mulheres. “Primeiro, parabenizar a cada uma pelo Dia Internacional da Mulher. Que tenhamos união e a cada dia nos apoiemos mais, em todas as áreas e questões, a fim de buscarmos uma sociedade mais justa, respeitosa e igualitária”, disse.

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