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Mano Jay encontra no rap uma voz para falar de racismo, periferia e futuro

5 de outubro de 2026

Artista do grupo Diálogo Aberto transforma experiência com racismo em música, consciência racial e mensagem à juventude da periferia. Foto: Reprodução/Arquivo FM

André Silveira

PASSOS – Gleison Silva dos Reis tinha entre 11 e 12 anos quando, pela primeira vez, percebeu que a cor de sua pele poderia fazer com que alguém o enxergasse de maneira diferente. Ele tinha um amigo branco com quem brincava diariamente. Um dia, como o menino não apareceu em sua casa, Gleison decidiu procurá-lo. Bateu à porta e foi recebido por uma mulher que, segundo ele, lhe dirigiu palavras racistas. “Naquele dia eu cheguei em casa, olhei no espelho e descobri que eu era negro. Eu precisava sofrer aquele choque para me entender. E não tinha ninguém para me mostrar o caminho”, recorda. Agora, Mano Jay, como é conhecido, retornou a Passos e prepara o lançamento de uma nova música dedicada ao Centro Pop. Integrante do projeto Diálogo Aberto, o artista pretende abordar no trabalho a realidade e as dificuldades vividas por pessoas atendidas pelo serviço, mantendo a proposta de usar o hip hop como instrumento de reflexão social, valorização da população negra e aproximação com jovens das periferias. A faixa deve ser lançada nas próximas semanas nas plataformas digitais.

Décadas depois do episódio de racismo, o menino Gleisson é conhecido no hip hop de Passos como Mano Jay. Após passar um período fora da cidade, ele retornou a Passos e busca reorganizar o Diálogo Aberto, projeto pelo qual utiliza o rap para conversar com a juventude das periferias sobre racismo, educação, violência, escolhas e realidade social.