Economia

Endividamento

26 de fevereiro de 2021

De acordo com dados divulgados na semana passada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias endividadas -com débitos em atraso ou não- no país chegou a 66,5% em janeiro deste ano. O levantamento realizado pela Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor indica que o índice supera as taxas de dezembro de 2020, que foi 66,3%, e de janeiro do ano passado, 65,3%.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Atrasos
  • Causas
  • Cartões de crédito
  • Recomendações

Atrasos

O percentual de inadimplentes, ou seja, famílias com dívidas ou contas em atraso em janeiro, atingiu o percentual de 24,8%. Esse valor está abaixo dos 25,2% de dezembro, mas acima dos 23,8% de janeiro do ano passado. As famílias que não terão condições de saldar suas contas somaram 10,9% do total, abaixo dos 11,2% de dezembro. Porém, o índice está acima dos 9,6% de janeiro de 2020.

Causas

Com o fim do auxílio emergencial e o atraso no calendário de vacinação, as famílias de menor renda precisarão adotar maior rigor na organização do orçamento, analisa a economista responsável pela pesquisa, Izis Ferreira. A especialista explica que essa conjuntura faz com que o crédito tenha um peso ainda maior na recomposição da renda dos cidadãos. Como possíveis soluções para as dívidas, Izis sugere que é necessário seguir ampliando o acesso aos recursos com custos mais baixos, mas também alongar os prazos de pagamento dos débitos, para que seja possível manter a inadimplência sob controle.

Cartões de crédito

Segundo a CNC, o percentual de dívidas com cartão de crédito entre o total de endividados chegou a 80,5%. O índice foi elevado para um patamar histórico, uma vez que, em janeiro do ano passado, a taxa era de 79,8%. Ainda segundo a Confederação, outros principais motivos para essa dívida em janeiro foram carnês (16,8%), financiamento de carro (9,9%) e crédito pessoal (8,4%). O tempo médio com pagamento em atraso chegou a 63,3 dias, e o tempo médio de comprometimento com dívidas ficou em 6,9 meses.

Recomendações

Na avaliação da CNC, a alta do endividamento reflete a recuperação do crédito, estimulado pelos juros baixos e por estímulos concedidos durante a pandemia de covid-19. A entidade, no entanto, aconselha que os bancos alonguem os prazos de pagamento das dívidas para reduzir o risco de inadimplência no sistema financeiro. Isso porque grande parte do crédito ofertado durante a pandemia foi concedido com carência nas parcelas e deve começar a vencer no início deste ano.