MEIO AMBIENTE – EDSON FIALHO

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Queimadas no Triângulo Mineiro

 

Na semana passada, abordamos o tema das queimadas no Brasil. E hoje, damos continuidade, falando sobre o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Segundo um estudo publicado por Bruna Aparecida Silva Dias, Jussara dos Santos Rosendo e Jorge Luís Silva Brito entre 2002 e 2016, aproximadamente 423 milhões de hectares foram queimados anualmente na região, conforme publicado no artigo “…Mapeamento dos perigos associados a incêndios e queimadas no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba – MG (Brasil)…”, publicado na Revista portuguesa Physis Terrae- Revista Ibero-Afro-Americana de Geografia Física e Ambiente, v. 6, n. 2, 2024.

As mudanças provocadas na paisagem por incêndios e queimadas espelham as recentes transformações socioeconômicas, seja no meio rural ou urbano. A introdução de novas tecnologias no sistema de produção agrícola, a ampliação das fronteiras agrícolas, o estímulo às exportações, os incentivos fiscais e financeiros, a concentração de terras, o aumento da população urbana, tudo isso acompanhado de um crescimento da segregação socioespacial, complica o acesso a serviços fundamentais de infraestrutura. Estes são exemplos que geraram alterações relevantes no uso e ocupação da terra e nos modos de vida da população. Como resultado da ação humana nesses territórios, observa-se um incremento na ocorrência de incêndios, impactando tanto pequenas quanto grandes áreas de terra.

Além das alterações no uso da terra, pode-se citar como fatores associados ao crescimento anual do número de registros de queimadas e incêndios: i) as ações humanas; ii) as características do combustível; iii) as atividades de controle do fogo e iv) as mudanças da variabilidade das chuvas.

Portanto, os autores advertem sobre a importância de administrar o risco de incêndios e queimadas. Entre 2017 e 20121, na mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em Minas Gerais, utilizando o modelo de análise espacial multicritério, constataram que, durante a época de seca, o risco aumentou de 7,8% em 2018 para 30,7% em 2021. Na área categorizada como de risco extremamente alto. Observa-se que essas regiões estavam em altitudes baixas, perto de estradas, com declividade reduzida, e o uso da terra na forma de pastagens.

Adicionalmente, durante a época de seca, a maior parte dos focos foi localizada nas categorias de alto (média de 80,4%), com destaque para os anos de 2017 e 2018, com 83,3% e 87,5%, respectivamente. Em todos os anos examinados, a média para o risco muito alto foi de 16,8%, com os anos de 2020 e 2021 apresentando os percentuais mais elevados, com 21,2% e 25,3%, respectivamente. Em relação ao período chuvoso, as classes de risco médio e alto, se mantiveram quase na mesma proporção, variando de um ano para o outro, entretanto, o percentual não ultrapassou aos 50% em ambas as classes

Com essas informações publicadas, fica patente a necessidade de utilizar o mapa de risco elaborado pelo estudo, pois o mesmo pode auxiliar no entendimento das ocorrências e aprimorar a gestão de risco, por meio da identificação dessas regiões.

 

Prof. Dr. Edson Soares Fialho.

Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Viçosa.

E-mail: fialho@ufv.br

Últimas Notícias

Exclusivo

Tiro de Guerra de Passos realiza 1ª Corrida do Atirador neste domingo

Piracema começa em Minas Gerais e restringe pesca para proteger reprodução dos peixes nativos

Exclusivo

Radialistas apontam desafios para renovação de profissionais em Passos

Exclusivo

Prefeitura de Passos avança em obra contra enchentes, mas contenções de encostas ainda dependem de recursos

Exclusivo

Eleições – O espetáculo da democracia não pode admitir dúvidas

PASSOS Previsão do Tempo