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Um passo à frente, sem abandonar a tradição: Folha celebra 43 anos e projeta novo portal

16 de janeiro de 2026

Foto: Arquivo FM

Fernando Chaves

Bianca Simionato

PASSOS – Há aniversários que pedem bolo, discurso e um coro afinado de parabéns. E há outros que se anunciam de forma discreta, mas mudando tudo por dentro — e por fora. Aos 43 anos, completados neste 16 de janeiro de 2026, a Folha da Manhã amanhece buscando uma cara nova mais uma vez. Depois das páginas impressas renovadas em 2025, quem ganhará o presente é o leitor digital — aquele que não larga o celular, o tablet ou o teclado. Entrará no ar, em fevereiro de 2026, a nova versão do portal Clic Folha.

Já se contam quase 30 anos que o tradicional diário do Sudoeste de Minas respira em dois tempos a cada manhã: o da tinta lançada religiosamente no papel e o do fluxo contínuo de pixels que se atualizam ao ritmo da internet. Foi em 1997 que a Folha da Manhã se tornou pioneira no Estado de Minas Gerais, sendo um dos primeiros jornais a alimentar um portal diário de notícias. De lá para cá, a internet e o consumo de informação mudaram profundamente. Vieram as redes sociais, os smartphones, e com eles novas formas de ler, clicar, compartilhar e se conectar.

A Folha acompanha esse movimento com atualizações constantes, buscando garantir ao leitor acesso à informação da melhor forma possível — ágil, moderna e ao alcance dos dedos. Mas sem jamais abdicar do rigor jornalístico, da apuração aprofundada, do exercício ético da comunicação e do vínculo comunitário com a sociedade e a cultura local e regional.

É o olhar adiante e um passo à frente — mas sem perder as raízes.

 

Entre duas linguagens, o mesmo compromisso

A principal novidade está no dinamismo do meio digital. Com o novo site, o leitor encontrará duas portas de entrada para cada notícia:

– a íntegra da edição impressa, digitalizada, como se folheasse o jornal na palma da mão;
– a versão fluida para internet, mais leve, rápida, sintética — para quem quer saber o essencial imediatamente, mas pode voltar depois para mergulhar na análise completa.

A nova versão do site também nascerá com suporte mais moderno para fotos, vídeos e multimídia, com carregamento mais rápido e maior interação com o leitor.

“A Folha assimila as novidades do mundo digital, sua rapidez, fluidez, agilidade. Abre também espaço para a dinâmica dos formatos multimídia e para a interação via redes sociais”, afirma o diretor de jornalismo, Leonardo Natalino. “Sem abdicar, por outro lado, dos princípios que regem a produção jornalística profissional e socialmente responsável. A cobertura rigorosa, feita in loco e presencialmente sempre que necessário, com coordenação das rotinas e do passo a passo do repórter em campo. A Folha não abre mão de produzir jornalismo comprometido com os fatos”.

 

Quatro décadas do Jornal que a região lê

A linha do tempo da Folha da Manhã dá pistas de como a tradição se mantém não na repetição, mas na capacidade de se reinventar sem perder o tom da voz e o contato com as origens.

1983: no dia 16 de janeiro, circulava a primeira edição — ainda trissemanal.

1986: a Folha vira o primeiro diário com impressora rotativa do interior de Minas.

1989: informatização completa da redação.

1997: um salto audacioso para a época — a Folha passa a publicar edições diárias na internet, quando o modem ainda cantava no ouvido e a web engatinhava.

2012 e 2018: entrada oficial nas redes sociais e construção de um ecossistema informativo que junta impresso, portal e plataformas digitais sem perder o crivo da apuração.

2020: a mudança para o formato tabloide torna o impresso mais leve e contemporâneo.

2025: nova impressão, em parceria com gráfica de Ribeirão Preto, dá cor, brilho e nitidez às páginas.

2026: o portal se atualiza — e o ciclo continua.

A Folha chega aos 43 anos mais digital, mas igualmente enraizada. Firme na manutenção da edição impressa diária e na conservação do rigor jornalístico. Fluida na absorção de novas tecnologias e da cultura digital.

 

Leitores que nunca deixaram a Folha sair de casa

Se a cidade cresceu, se transformou, migrou, inventou novos modos de ler, muitos foram junto. De perto ou de longe, como quem mantém correspondência com sua própria história.

Pedro Dias, 72, hoje morador de Campinas, sai cedo da cama e abre o Clic Folha antes do café. “Acesso diariamente o jornal para saber das novidades do Sudoeste. Me interessam todos os assuntos, mas principalmente os históricos. O jornal me mantém ligado à minha terra”, afirma.

Ao contar que pesquisa a história de Pratápolis no século 20, Pedro diz que, sem a Folha, seus olhos deixariam de pousar sobre os passos de casa. E confessa manias: aguarda Cazo, vibra com Luiz Negrinho, e agradece a oportunidade de continuar pertencendo à região que deixou para trás, mas que nunca saiu do coração.

Já Orlanda Nascimento Andrade, fundadora do Colégio Del Rey, mantém há décadas uma tradição pedagógica: jornal na mão, sala de aula aberta. “O jornal é um veículo essencial para a cidadania e para a democracia”, afirma.

Ela coleciona recortes, indica reportagens aos professores e lembra, com brilho nos olhos, do encarte produzido por alunos do Del Rey no início dos anos 2000, “ansiosamente aguardado pelos jovens”, lançado em noite de gala no CPN. Preferindo o impresso, Orlanda raramente acessa o portal. Mas ela torce para que o digital aproxime novos leitores como o papel aproximou milhares ao longo das décadas.

Longe, mas nunca desconectado, está Marcio Nogueira, ex-vereador de Passos, hoje morando em Belo Horizonte: “A Folha é meu café da manhã. Antes de sair, eu dou uma olhada no jornal. Não fico sem, de jeito nenhum.” Da capital, da Itália ou da Espanha, ele não perde o fio da cidade natal. “Sou passense que saiu de Passos, mas Passos não saiu de mim.”

 

Folha viva: impressa e digital

Nunca foi apenas um jornal. São 43 anos como ponto de encontro entre Passos, sudoeste mineiro e seus moradores — aqueles que estão por aqui, os que já foram, e os que ainda chegarão por essas paragens, por essas páginas e telas.

O novo portal estreará homenageando esse movimento: o de ir adiante, mas carregando consigo o que vale a pena preservar — o rigor editorial, a apuração cautelosa, a independência, a paixão pelo regional.

A cada manhã, a Folha continua sendo o que sempre foi: testemunha do cotidiano e guardiã da memória — agora com um convite adicional para navegar, clicar, compartilhar e participar.

Há quem diga que os jornais estão ficando para trás. Em Passos, o que se vê é outra história: o futuro chega toda manhã, em papel ou em pixel, como quem puxa uma cadeira e diz — vamos conversar?