Destaques Saúde

Venda de antidepressivos e ansiolíticos aumentam

25 de julho de 2020

Veneráveis das 5 lojas maçônicas descartaram qualquer campanha de ‘tratamento precoce’. / Foto: Divulgação

PASSOS- A venda de antidepressivos e ansiolíticos aumentou de 15% a 30% em algumas farmácias e drogarias de Passos durante a pandemia do novo coronavírus. O crescimento foi confirmado por farmacêuticos ouvidos pela Folha e pode estar ligado ao agravamento de algumas doenças mentais, devido ao atual cenário de instabilidade.

O que você também vai ler neste artigo:

Ajuda

De acordo com o atendente Maycon Ferreira Reis, que trabalha em uma farmácia do município, a elevação ocorreu, principalmente, em razão de novos usuários que começaram a fazer uso dos medicamentos. Em alguns casos, aqueles que já tomavam tiveram suas doses aumentadas, o que também refletiu no crescimento, como ressalta o responsável técnico de outra farmácia, Geraldo Francisco da Silva. Além disso, os farmacêuticos também perceberam um aumento na venda de medicamentos para alcoolismo, diabetes, pressão alta e de fitoterápicos.

Aumentou bastante, principalmente para jovens. Pela grande demanda que está tendo nessa pandemia, tem vários antidepressivos em falta. Muitas pessoas também controlam a ansiedade com comida, então acabou aumentando também remédios para emagrecer. Vem cliente no próprio balcão e começa a chorar de medo”, contou Silva.

A distribuição desses medicamentos, que é feita por meio de receita, também aumentou na farmácia básica do município, conforme a farmacêutica responsável, Lucia Lemos da Silveira. A elevação foi de 10 a 20% nos meses de junho e julho. Ao mesmo tempo, segundo o coordenador da saúde mental Frederico Silveira Santos, cresceu também a demanda por atendimentos psicológicos e psiquiátricos na rede pública.

O mesmo ocorre com a rede de saúde privada. A psiquiatra Amanda de Lima Teixeira, membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Associação de Psicologia Positiva da América Latina, diz que a pandemia agravou o quadro de alguns pacientes que já possuíam algum transtorno e fez com que novos pacientes procurassem ajuda médica, principalmente aqueles com transtornos depressivos, de ansiedade – com destaque para a síndrome do pânico – e também com transtorno obsessivo compulsivo (TOC) vinculado ao medo de contaminação.

Tem vários fatores que fazem com que essa pandemia possa ser um fator de piora da saúde mental das pessoas. Em primeiro lugar, a necessidade de isolamento, porque somos seres sociáveis, e entre os aspectos fundamentais do nosso bem-estar mental, estão as nossas relações sociais. Fora isso, a gente tem todo um cenário de medo em vários aspectos: no setor financeiro e econômico, medo da contaminação. Tudo isso são fatores que geram nas pessoas uma sensação de incerteza, uma instabilidade muito grande. Essa instabilidade tem provocado um aumento expressivo nos transtornos de ansiedade, uma piora e casos novos de transtornos depressivos. Quem já sofre de um transtorno depressivo, por exemplo, já tem uma percepção mais negativa da realidade e, com esse cenário difícil, isso fica ainda mais evidente. Os pacientes que sofrem de TOC também, principalmente aqueles que são vinculados à limpeza, tiveram uma piora importante”, explicou.

Ajuda

Ainda segundo a psiquiatra, há alguns hábitos que as pessoas devem preservar e adotar neste período, a fim de cuidar da saúde mental, como manter o contato com pessoas importantes, ainda que virtualmente; manter uma rotina, principalmente do sono e de alimentação, e praticar exercícios físicos em casa. É preciso também ficar atento à própria saúde mental e à das pessoas próximas, e, se perceber uma piora, procurar ajuda médica.

Para aqueles que não podem pagar por uma consulta com um psicólogo ou psiquiatra, alguns institutos estão ofertando terapias on-line gratuitas, como o Instituto de Pesquisa e Estudos do Feminino (Ipefem), que está oferecendo terapias em grupo para homens e mulheres maiores de 18 anos. Para agendar, o interessado deve acessar o site www.ipefem.rds.land/terapia-gratuita e preencher o formulário.

Há, também, atendimento na rede básica de saúde por meio do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). O paciente ou a família podem procurar o Caps se ocorrer alguma crise, ou o encaminhamento pode ser feito pelo médico do Programa Saúde da Família (PSF), quando sentir necessidade.