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Temendo colapso na saúde, evangélicos fecham igrejas

Por Ézio Santos/ Especial

12 de janeiro de 2021

O PASTOR WASHINGTON LIDEROU O ENCONTRO DE EVANGÉLICOS REALIZADO DOMINGO PASSADO. / Foto: Ézio Santos

PASSOS – O aumento nos números de infectados e de óbitos causados pela covid-19 no município tem deixado as autoridades médicas e políticas, bem como a maioria da população, preocupadas. Em razão dos últimos boletins epidemiológicos divulgados pela Prefeitura de Passos e pela Santa Casa de Misericórdia, que apontam a possibilidade de colapso no sistema de saúde, 35 igrejas evangélicas resolveram paralisar as atividade em grupo nos próximos 14 dias.


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A decisão foi tomada no último domingo, 10, após reunião realizada por cerca de 20 pastores das igrejas pentecostais e neopentecostais da cidade, além de outras irmandades.

Acredito termos agido com prudência, mesmo sem saber o conteúdo do novo decreto municipal em relação à covid. Vimos com muita preocupação a quantidade de pessoas ocupando a enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, que recebe pacientes de dezenas de municípios. Os profissionais da área de saúde que estão na linha de frente da crise epidemiológica também nos deixam inquietos, porque há sério risco de não darem conta de atender a demanda, se os registros da doença continuarem a aumentar em ritmo avassalador”, realçou o pastor Washington José de Almeida, de 45 anos, vice-presidente da Associação de Pastores e Ministros Evangélicos de Passos (Amep).

Entre os dias 11 e 24 de janeiro, estarão suspensos cultos, ensaios de corais e bandas em todas as igrejas evangélicas.

De certa forma, acredito que estamos contribuindo para aliviar um pouco a possibilidade de contágio do vírus. Se o novo decreto do prefeito Diego Oliveira prever o fechamento total das igrejas em geral, seja qual for a religião, nós, evangélicos vinculados à Amep, vamos cumprir as medidas, porque a atual situação no tocante à pandemia é preocupante demais”, declarou Almeida. Em Passos existe também o Conselho de Ministros e Pastores de Passos (Comep) que não aderiu à decisão da associação.

Quando o ex-prefeito Renatinho Ourives decretou a suspensão das atividades religiosas em Passos, três meses depois os evangélicos foram os primeiros a irem às ruas pedir a reabertura dos templos.

Nós promovemos até carreata, porém a situação era bem diferente em relação aos dias de hoje. Naquela época, a Santa Casa não tinha tantas pessoas internadas por causa da covid. Já tinha diminuído muito em relação ao início da pandemia. Acredito que se não houve diminuição no número de infectados, a única opção é abrir o hospital de campanha, mas o prefeito já disse que não tem profissionais suficientes para atender a população. Isso nos deixa mais desassossegados ainda”, ressaltou o pastor.

Ao longo dos 14 dias com as igrejas fechadas para eventos que possam aglomerar pessoas, Almeida lembrou que os atendimentos pastorais junto aos fiéis vão continuar normalmente, mas de forma bem restrita, geralmente à noite, e com previsão de encerramento às 20h.