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Supermercados não têm estrutura para atender demanda por delivery

31 de março de 2021

Foto: Agência Brasil

PASSOS – Donos de supermercados e representantes da Associação Mineira de Supermercados (Amis) informam que os estabelecimentos não têm estrutura para atender a demanda somente por meio de delivery, conforme determina o último decreto divulgado pela prefeitura de Passos.

De acordo com Jerônimo Pereira Machado, dono de supermercado e vice-presidente da Amis, às 6h de ontem já havia fila na porta do estabelecimento.

Está uma verdadeira loucura. Muito cheio, muito tumultuado, muita fila. Essa decisão unilateral causa um transtorno psicológico na população muito grande. Nenhum supermercado da cidade tem estrutura para atender, por meio de delivery, toda a demanda. Atendemos cerca de 5 mil clientes por dia. Não vamos atender nem 10% dessa demanda”, disse.

Alisson leite da Silva, gerente de supermercado, conta que a movimentação para compras, nesta terça-feira foi fora do comum.

Essa decisão do Executivo causou aglomeração fora do comum em nosso supermercado. Temos funcionários organizando a fila, mas não dá para evitar o tumulto. Esse decreto gerou um transtorno enorme. A prefeitura tinha que ter tido uma reunião com a gente. Deixar a população sem alimento por uma semana vai ser complicado e não temos condições de atender delivery. Atendemos 1.5 mil pessoas por dia, em dias normais, e mesmo que a gente dobre o número de entregadores, não vamos fazer nem 300 entregas”, falou.

Para Thiago Coelho, gerente de uma rede atacadista, a decisão da prefeitura não foi a melhor.

Esse processo gera aglomeração antes e depois. Alimento é essencial. Estamos tentando atender nessa linha de frente seguindo todas as recomendações, mas o decreto gerou um alvoroço na população. Acredito que o certo seria intensificar as fiscalizações com medidas de segurança. Temos que ter rigidez, inclusive para acabar com as festinhas que ocorrem nas áreas rurais do município”, contou.

Segundo o gerente, a rede vai fechar por completo e não será feita entrega nas residências pelo estabelecimento não ter estrutura.

Não temos condições. Seria preciso fazer treinamento, avaliação dos preços e outras burocracias e o sentimento é de preocupação. Ninguém está satisfeito com a decisão. É unânime a reclamação que ouvimos, inclusive nas filas”, falou Coelho.


Polícia

Na tarde de ontem, a Polícia Militar foi acionada para atender uma denúncia em um supermercado. Segundo informações da PM, alguns indivíduos teriam tentado entrar à força em um estabelecimento na avenida Juca Stockler. A aposentada Maria Aparecida de Oliveira, que tentava entrar em um supermercado nesta terça-feira, afirmou a situação estava muito desconfortável.

A gente precisa das coisas, eu mesma cheguei da roça e fui pega de surpresa. Acho que deveriam avisar antes para gente se prevenir”, disse.

Para a professora Sirlene Ferreira Moreira, o anúncio do fechamento acabou gerando aglomerações.

A tendência de aglomerar hoje (ontem) é muito maior do que se fosse abrir normalmente durante a semana toda. Então fica difícil. Não discordo do decreto, tem que ter, mas, teriam que avisar com mais antecedência. Hoje, vou comprar para até segunda-feira. Não vou fazer feira completa não”, contou.

Por meio de nota, a Prefeitura de Passos informou que será realizada hoje, 31, uma reunião para reavaliar a situação. As cidades de Fortaleza de Minas, Capitólio, Piumhi e Pratápolis também adotaram medidas restritivas para o feriado. Serão permitidos apenas o funcionamento de serviços essenciais como farmácias e postos de combustíveis.

Supermercados vão poder funcionar apenas por sistema de delivery. Capitólio e Piumhi também adotaram barreiras sanitárias para conter a circulação de pessoas que não residem nos municípios como forma de conter a disseminação da Covid-19