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Santa Casa de Piumhi tem 120% de ocupação em leitos clínicos e profissionais exaustos

Por Laura Oliveira Hostalácio / Folha com Onda Oeste FM

22 de março de 2021

Entrada da Santa Casa de Piumhi /: Divulgação

PIUMHI – Diante da alta procura por internações na Santa Casa de Misericódia de Piumhi, as autoridades de saúde do município se reuniram na última sexta-feira, 19, confirmando a exaustão dos profissionais e o limite de ocupação. O último boletim divulgado pela Santa Casa na manhã desta segunda, 22, informa que a ocupação de leitos ultrapassou o limite, totalizando 120%. São 4 pacientes a mais que o suportado de 20 leitos. A informação é de que dois pacientes estão no aguardo de vaga para leito clínico.

Durante a declaração nesta sexta-feira, a chefe do setor de enfermagem da Santa Casa, Charlene Barbosa, relatou que os profissionais têm adoecido por excesso de trabalho. “Eles não conseguem, são humanos igual todo mundo”, explicou Charlene, “por mais que a gente tenha preparo e formação, é um trabalho exaustivo, árduo. São pacientes graves, que necessitam de cuidado intensivo o tempo todo. Nós, como todo mundo, também somos feitos de carne, a gente está sentindo isso muito”. Ela também completou afirmando que não há recursos humanos para aumentar o atendimento, já que os enfermeiros têm trabalhado quase 24 horas por dia.

A fisioterapeuta Ivana Mara confirmou que, em Piumhi, já há situações em que é preciso escolher quem será atendido primeiro, sendo que os maiores de 80 anos são prejudicados. Ela também explicou que a qualidade no atendimento da Santa Casa está precarizada devido à grande demanda, mas conclui com esperança que “se a circulação parar agora, a contaminação parar agora, a vacina aumenta e a gente tem mais chance de voltar à normalidade”, disse a fisioterapeuta.

Segundo a diretora técnica da Santa Casa, a médica Gracielle Paiz, a grande preocupação tem sido que os municípios estão em situações semelhantes “não temos para onde correr”, suplica. A diretora explicou que os pacientes têm dado entrada no pronto socorro com quadros mais graves, a maioria já tinha feito tratamento precoce e principalmente, muito mais jovens do que no começo da pandemia.

São pacientes mais jovens, alguns sem comorbidades. Com tomografias feias, ontem chegou uma paciente para a gente via SUS fácil da micro com uma tomografia horrorosa, isso assusta muito a equipe, assusta muito mesmo. Não Era uma paciente idosa, era uma paciente mais jovem, isso nos assusta muito”, explicou Gracielle.