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Santa Casa anuncia redução de leitos de UTI e prefeito e dirigentes reagem

5 de Maio de 2021

Foto: Helder Almeida

PASSOS – A Santa Casa de Misericórdia de Passos anunciou no final da tarde de ontem que, por falta de pagamento das diárias e outros motivos, vai reduzir de 50 para 40 o número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto para enfrentamento à covid-19. Ontem, dos 50 leitos disponibilizados, 41 estavam ocupados.

A Acip anunciou que vai recorrer à justiça para impedir a redução e o prefeito de Passos, Diego Oliveira, afirmou que a cidade e a região não podem permitir a redução e que não haverá fechamento no comércio. Segundo ele, se for preciso, vai a Belo Horizonte cobrar do governador que faça os repasses aos hospital. Por meio de uma nota, a direção do hospital explica que a falta do pagamento das diárias de janeiro a abril de 2021 totaliza o valor de R$6.736.000,00.

Este montante ainda não envolve a fatura completa relativa a todo o mês de abril. Como consequência desse alto custo, ainda sem repasse financeiro à instituição, o caixa gerado impede que suportemos arcar com esta despesa”, relatou.

Outro fator citado é o custo altíssimo dos medicamentos e a sua falta no mercado: “Por exemplo, o Propofol, utilizado diariamente para anestesia geral, que no início da pandemia em março/2020 era comprado por R$17,90 cada ampola, atualmente está sendo adquirido por R$115,00. Levando em consideração que o consumo diário em média é de 1.000 ampolas, o custo diário está sendo de R$115.000,00”.

Ainda segundo a Santa Casa, o repasse para o custeio dos leitos UTI Covid pelo Ministério da Saúde cobre 20 dos 50 leitos ofertados. O custeio dos demais 30 leitos são de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde.

O valor pago pela diária do paciente internado na UTI Covid pelo Ministério da Saúde é de R$1.600,00 e o custo apurado por paciente/dia é em média de R$2.600,00 a R$2.800,00”. A Santa Casa de Misericórdia de Passos reafirmou, em sua nota, “seu compromisso de cuidar de nossa população, no entanto, neste momento adverso não restou outra medida para impedimento do bloqueio destes 10 leitos de UTI”.


Acip deve recorrer à Justiça e prefeito cobra repasses do governo de Minas

A primeira reação pública contra a decisão da Santa Casa partiu do presidente da Associação Comercial e Industrial de Passos, Renato Mohallen, para quem o hospital tomou essa decisão para pressionar as autoridades municipais a determinar o lockdown. Ele adiantou que, novamente, a Acip vai recorrer à Justiça Federal para impedir o cancelamento dos leitos.

Essa é uma decisão absurda que a Santa Casa está tomando neste momento em que o equilíbrio da saúde é frágil e que os dirigentes não estão olhando o lado da misericórdia. A Santa Casa é pública e não uma ação entre amigos”, reagiu o presidente da Acip.

Para o dirigente, antes de tomar a decisão a Santa Casa deveria recorrer aos representantes políticos.

Vocês deveriam recorrer aos deputados Cássio Soares e Emidinho Madeira, para que ele possa interceder junto ao Ministério da Saúde. Vocês fazem campanha política para ele, não fazem? Deixo claro que vamos entrar na justiça contra a Santa Casa e vamos ganhar novamente”, desabafou o dirigente.

No início da noite, o prefeito de Passos, Diego Oliveira, disse que a medida vai impactar diretamente na definição da região em relação as fases do Minas Consciente e que não pretende fechar o comércio.

Nós não podemos aceitar esse fechamento dos leitos na cidade de Passos, na nossa Santa Casa. Isso vai impactar diretamente no nível de ondas do Minas Consciente e vai ser muito ruim para a cidade e para a região. E se a gente retroagir para a onda vermelha? para a roxa? Eu não vou fechar mais o comércio. Só se for por determinação judicial, se quiserem me prender. Do contrário, não vou fechar. Nós não podemos mais aceitar isso”, disse.

Diego também afirma que pretende ir a Belo Horizonte para cobrar que o governo estadual faça o repasse à Santa Casa.

De um lado, eu entendo que a Santa Casa não pode ficar arcando sozinha com esses leitos. Nós precisamos ir cobrar o governador. Tem que ter esse repasse. Não pode mais a nossa Santa Casa, o povo de Passos e da região ficar sofrendo por conta dos desmandos do governo. O governo tem que fazer o repasse, tem que pagar o que tá devendo. Se precisar, eu vou amanhã (hoje) em Belo Horizonte, o governador tem que nos ouvir e fazer esse repasse pra gente parar com esse sofrimento, pra não deixar esses leitos fecharem”, disse.