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Região atinge saturação na rede hospitalar e municípios se unem

20 de março de 2021

Foto: Divulgação

PASSOS – Com ocupação de 100% nos 40 leitos de UTI Covid-19 na Santa Casa de Passos, de 12 dos 20 disponíveis na Santa Casa de Paraíso e maior demanda também em unidades de pronto atendimento, a região enfrenta saturação no sistema de saúde e municípios se solidarizam com trocas de insumos para enfrentar a pandemia.

No gripário da Unidade de Pronto Atendimento de Passos (UPA), 100 pessoas foram atendidas na última quinta-feira, o que representa o dobro do movimento habitual. Por conta da demanda, a unidade ficou sem tomadas para a rede de oxigênio e recebeu os equipamentos da Prefeitura de São Sebastião do Paraíso.

O prefeito de Passos, Diego Oliveira, entrou em contato com a Prefeitura de São Sebastião do Paraíso para solicitar os equipamentos, do tipo Y, que fazem com que dois pontos de oxigênio possam ser ligados ao mesmo tempo. A secretária de Saúde de Paraíso, Adelma Lúcia da Silva, disse que, logo que soube, se dispôs a ajudar. Segundo ela, os municípios sempre foram parceiros.

Precisamos de colchões para expansão do nosso ambulatório Covid-19 e a Prefeitura de Jacuí nos ajudou. Também emprestamos testes rápidos para Pratápolis, que nos devolveu dias depois. É assim que as coisas funcionam. Com espírito de colaboração. Socorrendo quem mais precisa é que vamos vencer essa doença”, disse a secretária.

De acordo com a coordenador de Enfermagem da UPA de Passos, Adriana Torres, com o aumento nos casos da covid-19 a unidade vai ampliar o número de leitos no gripário.

Tínhamos oito leitos, agora vamos ter 18. O gripário vai para onde é a clínica médica, que é um espaço bem maior, e a clínica ficará onde o gripário funciona”, disse


O combate à covid é uma luta de todos, diz diretor da Santa Casa

Foto: Helder Almeida

PASSOS – Para o diretor técnico da Santa Casa de Passos, José Ronaldo Alves, o combate à covid-19 é uma luta de todos.

Não vamos perder o foco de com quem a gente vai lutar. Não é contra o profissional de saúde, não é contra o profissional do comércio. A luta é contra o vírus. É uma luta de todos. Nesse momento, a união é essencial. União pela vida, união para minimizar o dano às pessoas, as mortes e sequelas graves que a doença provoca nos pacientes graves que sobrevivem” disse.

Segundo Alves, o sistema de saúde está em colapso. “Os hospitais e pronto atendimentos estão sem vagas, atingiram sua capacidade de atendimento”, afirma. De acordo com o diretor, não há problema no abastecimento de oxigênio do hospital, mas há falta de medicamento.

O que estamos em falta é relaxante muscular. Nosso estoque dá para poucos dias. No entanto, temos o remédio para funcionar mais alguns dias dentro da nossa capacidade de atendimento. Fizemos o pedido e há uma promessa de entrega, mas não é certeza” disse.

O hospital conta com 70 leitos de UTI para atendimento a adultos, sendo que 40 deles estão reservados para tratamento de pacientes com covid-19.

Os demais leitos estão todos ocupados para atendimento a outras emergências cardiovasculares, infartos, AVCs, politrauma, gestantes e pacientes oncológicos com emergência” disse o diretor técnico da Santa Casa.

Segundo ele a gestão dos leitos está sendo feita de forma a manter o equilíbrio da unidade para que nenhuma situação deixe de ser atendida. José Ronaldo afirma que o hospital tem recorrido a municípios do entorno para ajudar na gestão.

Todos os municípios terão que utilizar seus recursos máximos, sejam humanos, medicamentos, insumos, estrutura física ou equipamentos. Agora é uma luta de todos. Todos nós temos que participar”, disse.

Agora é uma questão de sobrevivência, de minimizar mortes. É lógico que fechar comércio, o desemprego, e quebrar empresas é muito ruim. O dano psicológico para criança, por não ter aula e tudo parado é péssimo. Mas vamos pensar bem, se um pai fica sem dinheiro porque perdeu o emprego, é uma coisa. Mas, se ele não for trabalhar mais porque morreu de covid, é muito difícil. A vacina é a solução, só que nós não temos vacina disponível e a coisa está acontecendo agora”, disse.

De acordo com o diretor, não há outra solução a não ser frear a transmissão.

E diminuir o número de pessoas infectadas pois, quanto mais pessoas infectadas tivermos, mais necessidade de oxigênio, mais necessidade de relaxante muscular, mais necessidade de UTI”, afirma.