Saúde

Psicóloga alerta sobre cuidados com a saúde mental na pandemia

27 de março de 2020

S.S. PARAÍSO – Desde que os números de casos do novo coronavírus aumentaram no Brasil e as autoridades decidiram que a população deveria permanecer em casa, muito tem se falado sobre as consequências do isolamento social. Além da questão econômica, devido à paralisação do comércio e da indústria, especialistas apontam que o fator humano também tem sido prejudicado com essa quarentena.
Para os profissionais de psicologia, as consequências da proliferação da covid-19 não estão relacionadas apenas aos números de casos graves e mortes, tampouco aos efeitos nocivos na economia. A mudança na rotina e o medo do contágio também tem afetado a saúde mental das pessoas.
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) antes do surgimento do novo coronavírus apontavam que o brasileiro era o povo mais ansioso do mundo. E a pergunta que fica é: como fica essa situação em tempos de isolamento? Para a psicóloga Camila Cruz, tudo o que tem acontecido nas últimas semanas pode agravar ainda mais esse quadro, trazendo insegurança à população. “O momento, por si só, já é propício ao desajuste emocional. Toda vez que nossa rotina, nossos hábitos enraizados são bruscamente quebrados percebemos como uma crise que traz sintomas. Percebemos o aumento dos quadros ansiosos, de humor deprimido ou oscilante. Viver em estado de alerta leva o nosso corpo a produzir em excesso hormônios de proteção como adrenalina e cortisol (hormônio do estresse), isso podendo desencadear transtornos do sono, apetite, irritabilidade, baixa produtividade, entre outros. E vira um ciclo vicioso só agravando ainda mais”.
Além disso, o excesso de informação sobre a doença também pode ser um inimigo da população. Pela primeira vez na história da humanidade, uma crise global é acompanhada em tempo real. A avalanche de informações traz o benefício de estar bem informado, mas, conforme explicou a psicóloga, também é gerador de ansiedade. “Estamos vivendo, certamente, uma era epidêmica no que diz respeito a informações. Muitas delas contaminadas de terrorismo e má fé. Qualquer um, hoje, pode disseminar ponto de vista baseado nas próprias crenças e na cultura em que vive. Isso chega instantaneamente na mão do outro que segura um aparelho de celular, por exemplo. Vemos figuras públicas com alto grau de persuasão, formadores de opinião embasados pelo senso comum. E de forma danosa repercutem o pânico ou simplesmente banalizam o que nos é importante. Adoecemos emocionalmente porque tudo nos torna familiar ou diferente, nas duas situações pode nos levar ao estranhamento e adoecimento”.
Todavia, Camila Cruz declarou que é possível amenizar os sintomas de ansiedade causados pelo isolamento social e o medo da covid-19. “Nós podemos tentar viver de maneira saudável, refletindo sobre os aprendizados que podemos ter com toda essa triste realidade. Para isso, algumas dicas são muito válidas, como: manter a rotina, acordando como de costume, fazendo as tarefas do lar e se alimentando na quantidade habitual e com horários definidos; tomar sol pela manhã, pois a vitamina D vai ajudar a manter o ânimo; tome cuidado com as fake news e escolha fontes confiáveis como divulgação da Organização Mundial de Saúde e prefeitura; ore ou faça meditação, pois é comprovado que a espiritualidade (ajuda a manter a mente em paz e é capaz de auxiliar na saúde; e use as redes sociais para se comunicar com familiares”, concluiu a psicóloga.