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Profissionais de saúde são imunizados em Paraíso

Por Stéfany Lorraine / Especial

2 de fevereiro de 2021

Foto: Divulgação

S.S. DO PARAÍSO – Com a declaração em 11 de março de 2020, pela Organização Mundial da Saúde, de que o mundo passava a encarar a covid-19 como uma pandemia, muitos profissionais da área da saúde que atuam em Paraíso, sentiram o peso que estava sendo posto em suas costas. No último dia 20, dia do Padroeiro da cidade, eles começaram a ser imunizados.

Médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares, motoristas de ambulância, cada uma dessas pessoas passou a ter contato direto com o vírus e a ter um risco de contaminação muito maior do que a maioria da população. Contudo, em meio ao caos, ao desespero e principalmente em meio ao luto de tantas pessoas que perderam seus entes queridos, em janeiro de 2021, com a chegada da vacina no Brasil, há um novo alento e esperança de que a pandemia possa ser debelada.

Renata Macedo, 42 anos, tem uma vasta experiência como técnica em enfermagem e é uma das profissionais que ajudam no combate ao novo coronavírus em São Sebastião do Paraíso. Questionada se em algum momento pensou em desistir de trabalhar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ela afirma que não.

Não vou dizer que não é um momento desgastante, mas a nossa equipe, no geral, está tentando lidar com muita esperança para um dia lembrarmos disso apenas como uma fase difícil. Em momento algum pensei em desistir do setor”, disse a profissional.

Nathalia Freitas ,de 23 anos, também atua com técnica em enfermagem na UTI-Covid. Para ela, a sensação de estar tão próxima ao vírus é uma mistura de medo e gratidão.

Estar na linha de frente é uma responsabilidade imensa, todos os dias voltamos pra casa com medo do que pode acontecer com a gente e com a nossa família. Mas, ver um paciente dentro de uma UTI, enfrentando dificuldades para sobreviver, e ver ele sendo curado, é uma gratidão e uma satisfação imensa, não tem preço“, disse. Segundo Nathalia, em dois momentos ela pensou em deixar o setor.

Pensei em sair da UTI Covid por medo de contaminar meus familiares e quando me deparei com um conhecido próximo em estado crítico”, disse ela.

O técnico e estudante de enfermagem Daniel Batista, de 34 anos, também atua na UTI Covid e perdeu a esposa no ano passado, vítima da doença. Ela morreu no dia 30 de outubro e o profissional afirma ter se sentido culpado por ter transmitido o vírus a esposa.

Como trabalho na área, acabei contaminando eu, minha filha e esposa, mas com o decorrer dos dias, o estado da doença, na minha esposa, foi se agravando e acabou sendo internada na UTI Covid, onde ficou intubada. Foram realizados vários procedimentos, assinei vários termos de responsabilidades acompanhei todo o processo. Porém, não resistiu mais e foi a óbito, deixando eu e minha filha, de 3 anos. Eu me senti muito sobrecarregado, pois com o aumento dos casos tinha plantões que ficava com três pacientes graves”, diz.

Segundo ele, a pandemia mudou a rotina dos profissionais.

Tudo mudou completamente. Recebemos treinamento da CCIH sobre toda a paramentação e, a partir desse momento, mudou nossa rotina de trabalho. Distanciamento social, não podendo ver nossos entes queridos, os casos só aumentando, tendo poucos funcionários na área, gerando sobrecarga, pois havia dias que estávamos trabalhando com equipe desfalcada, pois a cada dia um funcionário contaminava”, afirma Daniel.

Apesar do luto, ele precisava cuidar da filha Isabela, que possui diabetes e necessita de tratamentos. Por meio de uma vaquinha Online, a população da cidade o ajudou com um valor de aproximadamente R$12 mil.

Apesar de todas as dificuldades, no dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, as primeiras doses da vacina Coronavac, imunizante desenvolvido pela chinesa Sinovac em parceira com o Instituto Butantan, em São Paulo, chegaram no município e, pouco depois das 14h a primeira paraisense foi vacinada.

Paulina de Souza é chefe da imunização em Paraíso e foi escolhida devido aos anos de serviços prestados. Para ela foi uma verdadeira honra e o momento emocionante.

Me senti honrada. Foi um privilégio e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade muito grande. Mas olha, não doeu nada e eu gostaria que todas as pessoas que tiverem o direito de ser vacinadas, se vacinem, porque é a única maneira que a gente tem pra evitar complicações pela covid e óbitos”, afirma Paulina.