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Prefeitura de Guaxupé recorre de decisão que obriga município a aplicar ‘3ª dose’

20 de julho de 2021

Foto: Divulgação

Em nota, Procuradoria do município afirmou que não vai “preterir o direito de todos os outros cidadãos que pacientemente aguardam na fila da vacinação”. A Prefeitura de Guaxupé recorreu da decisão liminar da justiça que obriga o município a dar a “3ª dose” de imunizante contra a covid-19 em um empresário de 75 anos. A Procuradoria do Município informou em nota que não acha plausível fazer a reaplicação do imunizante em um cidadão, enquanto muitos outros estão na fila de espera.

O que você também vai ler neste artigo: 

  • Nota Oficial 
  • Entenda o caso
  • Terceira Dose

Nota Oficial

O Município de Guaxupé, por meio da Procuradoria, interpôs recurso contra a decisão do juiz Dr. Milton Furquim, que determinou a aplicação de uma terceira dose de vacina em idoso de Guaxupé. A Procuradoria entende que a decisão fere os princípios da impessoalidade e isonomia, uma vez que a aplicação dos imunizantes ainda escassos em nosso país deve obedecer ao PNI (Plano Nacional de Imunização), principalmente pelo fato de o idoso já ter sido imunizado com duas doses de vacina, com comprovação científica de sua eficácia, não parecendo plausível que queira, simplesmente, preterir o direito de todos os outros cidadãos que pacientemente aguardam na fila da vacinação há meses.


Entenda o caso

Na última sexta-feira (16) o juiz substituto da 2ª Vara Cível de Guaxupé, Milton Biagione Furquim, deu liminar favorável a um empresário de 75 anos que pediu a reaplicação de novo esquema vacinal depois de ter tomado duas doses da vacina Coronavac, em 27 de março e 19 de abril.

Aproximadamente 40 dias depois da aplicação da segunda dose, o idoso fez exame laboratoriais que não indicaram produção de anticorpos contra a doença. O homem consultou uma médica que fez uma declaração orientado a aplicação de terceira dose de vacina, com exceção da Coronavac e Astrazeneca- esta segunda por haver risco de trombose. O homem procurou o sistema público de saúde de Guaxupé pedindo a “terceira dose”, o que foi negado pela Prefeitura.


Terceira Dose

Após o “sommelier de vacina”, a nova polêmica envolvendo a imunização contra a covid é a aplicação da terceira dose. Relatos de pessoas que burlaram o sistema e tomaram doses de vacinas de diferentes laboratórios cresceram nos último tempos.

O teste sorológico é utilizado para diagnosticar pessoas que já foram infectadas pelo vírus, identificando os anticorpos presentes no sangue da amostra a partir de alguns critérios específicos. Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), os principais antígenos utilizados nos kits diagnósticos são o RBD (receptor binding domain) da proteína S (spike, espícula), a subunidade S1 da proteína S e a proteína N (nucleocapsídeo). Quando anticorpos da amostra do paciente usada no teste se ligam a esses antígenos, mostram se a pessoa já teve Covid-19 anteriormente.

No momento em que uma pessoa é vacinada, o sistema imunológico do corpo começa a produzir anticorpos específicos capazes de combater o vírus. O corpo grava essa informação como uma memória e, após o contato real com o vírus, ele consegue produzir novamente os anticorpos para combater a infecção.

Uma vez que as vacinas induzem anticorpos para alvos específicos de proteínas virais, os resultados do teste sorológico pós-vacinação serão negativos em pessoas sem histórico de infecção natural prévia se o teste usado não detectar os anticorpos induzidos pela vacina em questão. Sorologias negativas também não indicam falta de proteção, pois alguns indivíduos podem não apresentar soroconversão, embora apresentem algum grau de imunidade celular”, informa a Associação Médica Brasileira (AMB).

A Sociedade Brasileira de Imunizações também indica que não é recomendado realizar o teste sorológico após a imunização para “garantir” a vacinação. Eles indicam que a imunidade adquirida pós-vacinação é muito complexa para ser medida em um teste e que, em muitos casos, os resultados não conseguem traduzir a situação individual de proteção.