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‘Precisamos ter um pouco de bom senso e consciência’, diz prefeito

Por Adriana Dias / Redação

31 de março de 2021

Foto: Reprodução.

PASSOS – Após a divulgação do decreto que prevê várias restrições a partir desta quarta-feira, 31, e ter sido alvo de críticas por parte dos comerciantes, principalmente dos supermercados, o prefeito de Passos, Diego Oliveira, convocou uma coletiva com as presenças da secretária Municipal de Saúde, Priscila Soares Corrêa Faria, e da procuradora-geral do município, Eliane Abreu, que expuseram sobre a situação da saúde.

Em sua rápida aparição na coletiva, o prefeito salientou a importância do uso de máscaras, do isolamento e falou sobre a situação na região. Questionado sobre a forma que decretou o fechamento inclusive de supermercados, contrariando até mesmo o governador Romeu Zema, Diego disse que se fizesse de qualquer forma seria atacado.

Se faço o decreto para fechar agora, vou apanhar e vão dizer que vão faltar as coisas (alimentos). Precisamos ter um pouco de bom senso e consciência, em 5 dias as pessoas vão passar fome? Entendo que não e não vejo motivos para formarem filas como se formaram nesta terça-feira. Os prefeitos têm autonomia para decidir o que fazer”, disse o chefe do Executivo que se ausentou para ir a uma outra reunião na Santa Casa de Passos que teria sinalizado que em breve pode faltar remédio para a sedação e intubação.

Sobre o Hospital de Campanha, que nunca chegou a funcionar, o prefeito afirmou que não foi possível fechar negociação com a Fundação Beneficente São João da Escócia, mantenedora do extinto Hospital Otto Krakauer, por falta de documentos.

Aquela negociação do Hospital de Campanha, na gestão anterior foi um engodo. Só gastaram dinheiro à toa. Faltam várias CND’s (Certidão Negativa de Débito). Gastaram dinheiro lá sem ter o mínimo de noção da parte pública de documentação. Agora, entendo que com relação a um hospital de campanha, cada cidade vai ter que se organizar”, assegurou o prefeito que, visando melhorar a situação regional vem se reunindo com os gestores das cidades vizinhas, dentre elas Capitólio, Piumhi e Alpinópolis.

Diego convocou os prefeitos da região a aderirem ao sistema mais restritivo para que os casos na Santa Casa de Passos não ultrapassem o nível de saturação. “Precisamos de todos os municípios fazendo a sua parte. Não podemos ter cidades na região, como Carmo e Glória resistentes”, pediu.

A secretária de Saúde, Priscila Soares Corrêa Faria, falou de forma bastante emocionada sobre a situação de saúde em Passos, na região, em Minas e no Brasil.

Foto: Reprodução.

O nosso sistema está em colapso. E já fizemos muito com relação a equipamentos. Na Unidade de Pronto Atendimento (IPA) passamos de 8 para 16 leitos. Não falta dinheiro, mas faltam profissionais. Estamos tentando contratar pessoas. Faltam insumos também. Contratamos fisioterapeutas, ligamos de uma em uma para se apresentarem o mais rápido para dar o atendimento na UPA. Compramos ventiladores para atendermos na UPA para que não evoluam para UTI. Mas estamos vendo médicos, enfermeiros e todos os profissionais da saúde exaustos”, afirmou.

Dentre as ações que estão sendo feitas pelo novo decreto, foram implementadas três barreiras sanitárias que estão funcionando na entrada da Avenida Arlindo Figueiredo, na Avenida Juca Stockler em dois pontos, sendo uma próxima à Chevrolet e outra nas imediações da Alpínia. São barreiras sanitárias orientativas que verificam a real necessidade das pessoas entrarem ou saírem da cidade, medem a temperatura e dão orientações.


UPA em números

Foto: Divulgação

De acordo com Priscila, nesta terça-feira, 30, somente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) estavam sete pacientes aguardando por vagas na Santa Casa, dos quais dois estão intubados, sendo um homem de 58 anos e outro de 54 e um com ventilação mecânica. A UPA possui dois respiradores e está em processo licitatório para comprar outros cinco. A UPA tem quase 40 saídas de oxigênio que são usadas em cadeiras por pacientes que chegam com saturação baixa.

Esta doença está afetando pessoas jovens, abaixo de 60 e eles estão morrendo. O quadro de pacientes infectados em Passos vem mudando é em compatível com as sequelas causadas pela nova variante brasileira. Entretanto, nenhum laboratório de Minas Gerais traça este perfil genômico. Algumas amostras aleatórias do Estado serão enviadas à Fiocruz para estudo. As estatísticas da prefeitura apontam para uma tendência de aumento de casos graves e mortes. Tanto as notificações quanto as confirmações estão aumentando”, disse a secretária.