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Pneumologista da SCMP afirma que fator de idade é agravante para a covid-19

7 de abril de 2020

PASSOS – A médica pneumologista Lúcia Maria Macedo Ramos, 45 anos, casada com Roberson Sousa Ramos e mãe de Lucas, 12 anos e Guilherme, 10 anos e filha de um casal idoso, está desde o início da quarentena sem visitar seus pais para preservá-los. Natural de Piumhi, mas crescida em Itaú de Minas, ela está desde 2005 morando e trabalhando na Santa Casa de Misericórdia de Passos. Graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com especialidade em Clínica Médica, Pneumologia e Medicina do Sono, a profissional explica que o fator da idade é agravante para esta doença, a covid-19, que causou esta pandemia em mais de 180 países em todo o mundo.
Questionada se a covid-19 no Brasil tem acometido pessoas mais jovens do que em outras partes do mundo, a médica afirmou que qualquer indivíduo, independentemente da idade, pode se contaminar com o vírus. “A idade tem influência apenas na gravidade da doença. Ou seja, os idosos têm mais riscos de ter as formas graves da doença. Assim, ser um país com a população mais jovem como o Brasil acaba sendo um fator de proteção para diminuir a gravidade dos casos”, alertou.

Já com relação à letalidade desta doença com a pneumonia comum ou a bacteriana, a médica afirmou que a mortalidade da pneumonia bacteriana pode variar de 1,5 a 22% conforme as características clínicas dos pacientes. “Não dispomos, ainda, da taxa de mortalidade oficial da pneumonia por covid- 19 no Brasil e no mundo porque a pandemia ainda está em curso. Mas, podemos usar os dados de letalidade provocada pela infecção do covid- 19 por faixa etária na China, um país onde já ocorreu o pico da pandemia”, disse.

“Essa taxa de mortalidade variou de 0,2% nos pacientes mais jovens até 14,8% em pacientes acima ou igual a 80 anos. Comparando os dados disponíveis, podemos concluir que a infecção global por covid-19 não é mais letal que a pneumonia bacteriana. Essa pergunta é ótima porque quero trazer uma mensagem de esperança a todos. De acordo com os dados acima, uma pessoa que fica doente com covid-19 tem uma chance muito maior de sobrevida do que de mortalidade. Mesmo os pacientes com idades mais avançadas têm uma chance de sobreviver cinco vezes maior do que de morte. O grande problema dessa doença é que o mundo todo está adoecendo quase ao mesmo tempo devido à alta taxa de transmissibilidade do vírus. Logo, está gerando um número absoluto grande de mortes. Também provocou e pode continuar provocando um colapso no sistema de saúde de muitos países”, explicou.

Sobre sequelas para pacientes que forem infectados com a covid-10, Lúcia Maria afirma que em torno de 5% dos pacientes podem complicar com uma forma pulmonar grave da doença que é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). Estudos mostram que muitos dos pacientes que se recuperam da SARS tem graus diferentes de fibrose pulmonar. “Então, apenas nos pacientes que desenvolveram Fibrose Pulmonar, sintomas de tosse e cansaço poderão permanecer após a cura. Mas, gostaria de enfatizar que 80% dos pacientes com covid-19 apresentam doença leve parecida com um resfriado comum ou na forma assintomática. Logo, a imensa maioria dos pacientes ficará curada sem sequelas pulmonares”, alerta.

 

Previsão no Brasil

Sobre o crescimento da doença no Brasil, se pode chegar a acontecer igual aos países como a Itália, Espanha e Estados Unidos, a pneumologista se utiliza do boletim informado do dia 6 de abril, que mostrou 525 casos confirmados em todo o Estado, sendo 23 deles no Sul de Minas. As cidades com casos confirmados até agora são Capitólio, onde o paciente está está internado na Santa Casa de Misericórdia de Passos, Lavras, Pouso Alegre, Varginha, Cambuí, Machado, Ouro Fino, Senador Amaral e um caso em Piumhi, confirmado no domingo.

“As tendências mostram que está havendo gradualmente um aumento do número de suspeitos e ainda estamos numa curva ascendente da doença. A expectativa do Ministério da Saúde é que esses números continuem aumentando ainda até abril ou mesmo maio. Quanto a achar que vai chegar a acontecer um cenário parecido com esses países que você citou, não tenho conhecimento técnico para fazer uma projeção. Mas, vou dar minha opinião: prefiro acreditar que não teremos o caos por aqui. Falo especialmente de Passos e região. Sob a coordenação do Administrador, Daniel Porto, do Diretor Técnico, o médico José Ronaldo Alves, da Coordenadora da CCIH, a médica Priscila Freitas das Neves Gonçalves, de todos os colaboradores e do corpo clínico, a Santa Casa está preparada para assistir aos pacientes que vierem a precisar de internação. A Santa Casa de Passos está fazendo um primoroso trabalho de contingenciamento e estruturação seguindo as recomendações do Ministério da Saúde”, afirmou Lúcia Maria.