Destaques Saúde

Pandemia pode favorecer manifestações de doenças psicossomáticas

20 de outubro de 2020

Psiquiatra cooperado da Unimed Marco Aurélio Mezêncio explica que tratamento multidisciplinar é importante um para minimizar transtornos. / Foto: Divulgação

As emoções podem influenciar, positiva ou negativamente, na saúde física. Corpo e mente estão inteiramente integrados. Por isso, no período de quarentena, com situações estressoras, como o medo de adoecer, a angústia, a solidão, o isolamento ou o receio de perder o trabalho, pode fazer com que as pessoas desenvolvam ou agravem doenças psicossomáticas. Mas, afinal, o que são elas?

O psiquiatra cooperado da Unimed Sudoeste de Minas Marco Aurélio Mezêncio explica que as doenças psicossomáticas são aquelas causadas por problemas emocionais, que acabam por desencadear ou agravar uma doença física. A prevalência na população adulta em geral encontra-se em torno de 5% a 7% com predomínio no sexo feminino. Patologias comuns como asma, úlcera péptica, hipertensão arterial, psoríase, vitiligo, dermatite, eczemas, enxaqueca e também doenças inflamatórias crônicas como as autoimunes, tais como retocolite ulcerativa, artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, podem ser enquadradas nesta classificação, se a manifestação dos sintomas tem relação com alguma situação estressora que desencadeia os sintomas.

Entretanto, nem sempre o diagnóstico relacionado a uma doença psicossomática é fácil. Isto porque, muitas vezes, a investigação clínica é conduzida de forma apenas objetiva e, no caso das doenças psicossomáticas, deve-se considerar o caráter multifatorial presente em todas as doenças psiquiátricas.

Vários fatores podem contribuir para sua causa e, neste caso, a dificuldade em reagir e superar traumas e de compreensão dos próprios sentimentos contribuem para o surgimento destas doenças. No atual momento que vivemos devido a pandemia da covid-19, com informações que, muitas vezes, trazem conotações catastróficas, as pressões e preocupações de limitação social e até financeira que influenciaram drasticamente nosso cotidiano, é oportuno considerarmos um aumento do número de pacientes que manifestam alguma doença psicossomática ou que estejam mais vulneráveis a acentuar seus sintomas. Neste contexto, o medo do risco de contaminação, das manifestações e da gravidade da doença colaboram para que o paciente reitere suas queixas, preocupações e sofrimento”, acrescenta o psiquiatra.

Mezêncio ainda acrescenta que diversos fatores estressores podem ser desencadear doenças psicossomáticas e problemas. Experiências traumáticas em fases precoces da vida, como infância ou início da adolescência, têm sido também relacionadas na origem deste padrão de comportamento.

Muito frequentemente, adultos com estas doenças têm história pregressa de algum tipo de trauma ou doença clínica grave na infância, antecedente de abusos físicos e/ou sexuais e outras experiências traumáticas ao longo da vida. A ocorrência de transtornos psiquiátricos é elevada, especialmente transtornos de humor e de ansiedade”.

O psiquiatra acrescentou que há uma tendência dos pacientes negarem a relação entre problemas psicológicos ou sociais à manifestação da doença psicossomática e que são frequentes os sentimentos de rejeição e raiva, o que faz com que muitos abandonem o tratamento e busquem diversos especialistas, gerando um círculo vicioso.

O objetivo principal do tratamento não deve se basear na preocupação de uma remissão completa e imediata, mas na redução de danos, estando embasado em estratégias como um relacionamento terapêutico entre a equipe multidisciplinar e o paciente, no qual a pessoa tenha uma comunicação eficiente dos seus sintomas e das situações relacionadas a eles, eficaz manejo de investigações e tratamentos clínicos, uso adequado de medicamentos para o tratamento dos transtornos psiquiátricos associados, manejo dos problemas psicossociais e psicoterapia”, explica.