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OMS declara emergência de saúde em varíola dos macacos

23 de julho de 2022

BELO HORIZONTE – Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) conseguiram isolar, pela primeira vez no Brasil, o vírus da varíola dos macacos. Segundo informações do jornal Hoje em Dia, o procedimento foi feito em laboratório de biossegurança nível 3, um laboratório de contenção. 

E o processo foi confirmado também por abordagem molecular (PCR) e visto por microscopia eletrônica. O resultado foi apresentado na última semana e é importante para avanço do diagnóstico e pesquisas.

Segundo a assessoria da UFMG, o isolamento de um vírus é um método específico para o diagnóstico e fornece evidências da presença em amostras clínicas.

No caso de agentes infecciosos, isso é importante, porque permite a manipulação, sem risco de contaminação das equipes de pesquisa, que poderão estudar as características biológicas e imunológicas e buscar desenvolver vacinas e testes de novas drogas, entre outras possibilidades de avanço no manejo da doença.

Os pesquisadores destacam que não se trata ainda de um estudo, mas resultado do trabalho de contraprova que vem sendo realizado desde os primeiros sinais da varíola dos macacos,  para certificar o diagnóstico do vírus.

Essa parceria entre a Funed com as universidades tem sido de fundamental importância para o avanço nos diagnósticos e nas pesquisas de ponta realizadas no estado de Minas e no Brasil, auxiliando os gestores nas tomadas de decisão”, afirmou o pesquisador Felipe Ian, chefe do Serviço de Virologia da Funed.

Certificação

O isolamento do monkeypox rendeu um certificado da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), aos integrantes do Laboratório de Vírus da UFMG e à equipe do  laboratório de contenção, que se destina a pesquisas com vírus, bactérias, fungos e outros microrganismos causadores de doenças transmitidas pelo ar.

A doença

Causada pelo monkeypox vírus, muito parecido com o da varíola humana, a doença provoca febre, dores de cabeça e no corpo, além de fadiga, lesões cutâneas e inflamação de linfonodos. Ela pode ser transmitida por contato direto com secreções respiratórias, lesões na pele, além de fluídos corporais e objetos contaminados. A principal recomendação é o isolamento de pessoas infectadas para evitar a transmissão. As medidas preventivas incluem higienizar frequentemente as mãos e evitar o contato com pessoas e animais infectados.

OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu neste sábado, 23, declarar que a varíola dos macacos configura emergência de saúde pública de interesse internacional. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante coletiva de imprensa.

Temos um surto que se espalhou rápido pelo mundo, através de novas formas de transmissão, sobre as quais entendemos muito pouco, e que se encaixa nos critérios do Regulamento Sanitário Internacional. Por essas razões, decidi que a epidemia de varíola dos macacos representa uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”, disse Tedros.

A decisão não foi consensual entre membros do Comitê de Emergência da OMS, mas o diretor-geral decidiu ir adiante com a declaração. Ele destacou que o vírus tem se espalhado rapidamente por diversos países, o que aumenta o risco de disseminação internacional. Outra preocupação expressada por Tedros diz respeito ao potencial do vírus de interferir em viagens de um país para outro, como ocorreu com a covid-19. No entanto, a OMS ainda considera o risco baixo.

A varíola dos macacos é uma causada por um vírus e transmitida pelo contato próximo com uma pessoa infectada e com lesões de pele. O contato pode se dar por meio de abraço, beijo, relações sexuais ou secreções respiratórias. A transmissão também ocorre por contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies que foram utilizadas pelo infectado.

Uma das preocupações da OMS é com o estigma que a doença pode provocar, uma vez que a maioria dos contaminados são homens que se relacionam sexualmente com outros homens, especialmente aqueles com múltiplos parceiros.

Em acréscimo às nossas recomendações aos países, também chamo as organizações da sociedade civil, incluindo aquelas com experiência no trabalho com pessoas HIV positivo, para trabalhar conosco na luta contra o estigma e a discriminação”, disse o diretor-geral.