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Mulher de 107 anos é vacinada contra covid em São José da Barra

13 de fevereiro de 2021

Foto: Divulgação

S.J. DA BARRA – Viver 107 anos tem lá as suas vantagens e também algumas desvantagens. Helena Cândida Costa completou esta idade em 15 de dezembro de 2020, o que para toda a família é um presente divino. Porém, esta não é a primeira pandemia à qual a idosa vivencia.

Aos 5 anos ela passou pela gripe espanhola, que, mesmo não tendo tido contato direto, vivia a angústia e o medo. Agora, 102 anos depois, alheia ao perigo do coronavírus por conta de sua fragilidade, torna a ser protagonista: foi a primeira moradora de São José da Barra com mais de 90 anos a receber a dose da vacina contra a covid-19, na manhã desta sexta-feira, 12.

Para a filha de Dona Helena, Maria Aparecida Costa Alves, a Dona Cida, de 70 anos, é gratificante ver a mãe chegar aos 107 anos e ser a primeira a ser vacinada na Barra e, talvez, uma das raras mineiras a receber a dose com tanta idade.

A única coisa ruim é que chegar aos 107 anos vai acumulando várias perdas. Minha mãe tinha 16 irmãos. Todos morreram, ficou apenas ela. Seu marido, José Vitor da Costa, era mais novo 6 anos, e faleceu em 2002, com 81 anos. Sou filha única”, contou Cida.

Ainda conforme informações da filha, uma vez que Dona Helena está com a voz baixa e já não enxerga direito, Helena nasceu em Carmo do Rio Claro, na zona rural, na Comunidade dos Balbinos, e se mudou para a Barra há 51 anos.

Até os 90 anos, minha mãe cuidava da casa dela sozinha, até depois que meu pai faleceu. Após oito meses do falecimento dele, minha mãe caiu e quebrou o fêmur, aí veio pra minha casa. Teve uma herpes zoster e ficou quase um ano acamada. Teve pneumonia e desidratação, e, com a ajuda de Deus, se recuperou. Desde 2003, mora comigo. Foi uma mulher muito ativa, sempre trabalhou em casas de famílias das fazendas onde morou e também foi uma excelente costureira. Fazia peças em tear também”, contou a filha orgulhosa.

Dona Helena tem oito netos, 15 bisnetos, 3 tetranetos.

Alguns moram em outras cidades e estados e todos nós cuidamos muito para que a mamãe não seja contaminada com a covid-19. Até o ano passado vinham muitas pessoas aqui fazer visitas, agora não vem mais ninguém, por respeito à ela e à sua idade. Minha mãe ainda caminha, conversa conosco e sempre nos contou sobre a febre espanhola e também a maleita. Ela contava que mesmo criança fica ouvindo os adultos falarem da pandemia que matava muita gente mundo afora. Mamãe falava até dos chás que as pessoas usavam, com raiz da erva de cidreira, canela, limão galego e a raiz de São Caetano para a gripe espanhola. Nesta época tinha as pessoas que levavam boiadas, porco, carneiro e vinham do Rio de Janeiro e comentavam, então ela passava medo. Na nossa região não deu esta febre. Uma irmã dela mesmo quase morreu, mas foi de maleita, que é malária. Sabemos que minha mãe é uma sobrevivente e guerreira, pois desde muito nova sofria com ataques epiléticos. Desmaiava, ficava em coma, mas após 50 anos, se estabilizou e tem atualmente uma saúde invejável. Não toma nenhum medicamento, apenas os suplementos alimentares e se alimenta muito bem”, afirmou Cida.


Saúde

O início da vacinação em idosos com idades acima de 90 anos em São José da Barra teve início na manhã desta sexta-feira, 12 e, conforme o secretário Municipal de Saúde, Paulo Renato Gomes, deve seguir pelos próximos dias, pois, serão feitas as manipulações feitas nas casas. O fato considerado histórico foi acompanhado pelo prefeito Paulo Sérgio Leandro de Oliveira, o Serginho, pelo vice-prefeito, André Lemos e também pela chefe de Enfermagem, Weliane Vilela Silva.

Aqui na Barra, Dona Helena Cândida Costa é a mais velha e achamos que seja a mais idosa da região. Por isso, foi escolhida para receber a primeira vacina desta fase”, informou o secretário.

Emocionada, a Técnica de Enfermagem do Programa Saúde da Família (PSF) Doutor José Reis, Angelita Lopes Balduíno Alves, fez a vacinação em Dona Helena e confessou estar nervosa com a responsabilidade da vacinação.

Estou tremendo mais que a própria paciente. E, claro é motivo para estar emocionada. Estou me sentindo gratificada e uma honrada por fazer o que amo e nestes 20 anos de profissão é um privilégio ter iniciado a vacinação nos idosos. Também fui uma das primeiras a receber a vacina na Barra por ser da linha de frente. Nunca imaginei passar por esta emoção na vida”, salientou Angelita.