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Mortes por covid em Passos não atingem moradores de rua

Por Ézio Santos/ Especial

7 de Maio de 2021

O assunto é motivo de questionamentos por parte da população em razão de muitos dos moradores de rua não seguirem recomendações do Ministério da Saúde. / Foto: Divulgação

PASSOS – Em Passos, não há registro de mortes por covid-19 entre pessoas em situação de rua, segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda (Sedest) e de funerárias que atuam na cidade. O assunto é motivo de questionamentos por parte da população em razão de muitos dos moradores de rua não seguirem recomendações do Ministério da Saúde para evitar o contágio do novo coronavírus.

De acordo com a secretária, Tatiana Capute Ponsancini, não há informação sobre falecimento de pessoas em situação de rua desde o início da pandemia.

Temos acompanhado de perto toda a população em questão, com orientações sobre como se prevenir da covid-19, oferta de máscaras, higiene pessoal e outras medidas. Temos o resultado positivo do nosso trabalho em relação à doença, que mata independente de condição social”, disse.

Segundo ela, a Sedest, em parceria com a direção do Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos, há alguns anos presta assistência às pessoas em situação de rua no Centro Pop Padre Leo, antiga cantina Padre Leo. Hoje são 80 cadastrados acompanhados periodicamente sobre o que estão precisando ou alguma intercorrência.

Outros 50 frequentam o local todos os dias, aos sábados e domingos, recebem café da manhã, almoço, e café da tarde. Ela informou ainda que hoje são 140 pessoas cadastradas em situação de rua, e uma população flutuante de 17 imigrantes que estão nas vias públicas de Passos.

O município é polo regional em quase tudo na região Sudoeste do Estado. Além disso, o perímetro urbano é cortado pela MG-050, uma das principais rodovias de Minas Gerais, por onde chega gente de todos os lugares do país. Se aqui tem a maioria do que eles precisam, não vão embora. Exemplos claros são os apanhadores de café que saem do Norte de Minas. Muitos permanecem no município”, acentuou.

A secretária também afirma que quase 90% das pessoas em situação de rua são usuárias de álcool e outras drogas, como o crack, por exemplo. Os motivos são diversos, que vão desde problemas familiares e também de saúde mental. Tatiana revelou que, em uma parceria com a unidade de Passos da JBS, haverá em breve um recrutamento entre a população de vulnerabilidade social para a contratação de mão de obra. “Será uma excelente oportunidade”, pontuou. Para o infectologista passense Sérgio Silveira Júnior, de 42 anos, cientificamente não há comprovação que a população de rua não é suscetível à contaminação.

Qualquer ser humano corre risco de contrair o vírus. Talvez, os mendigos, por viverem em ambientes abertos, sempre aglomerados entre grupos isolados e reduzidos, e manter o distanciamento social com pessoas fora do convívio diário, diminuam muito o risco de ficar doente. Até mesmo pela falta de higiene pessoal, são evitados no trânsito de pedestres, e estabelecimentos comerciais”, afirma.