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Manifestantes pedem fim do ‘lockdown parcial’ em Passos

Por Gabriella Alux / Especial

31 de março de 2021

Cerca de 60 passenses foram presencialmente, e mais de 600 online, em uma manifestação em frente ao prédio da prefeitura. / Foto: Gabriela Allux

PASSOS – Cerca de 60 pessoas protestaram em frente à Prefeitura de Passos, nesta terça-feira, contra as medidas que proíbem o comércio presencial e instituem a lei seca, entre outras restrições, até as 23h59 deste domingo.

Decreto divulgado pela administração na noite desta segunda-feira estende a onda roxa até o dia 4, suspende atividades comerciais presenciais e permite o funcionamento do comércio apenas por meio de internet, aplicativos, telefone e entregas por delivery. De acordo com manifestantes, além do protesto físico, cerca de 600 pessoas também participaram de forma online.

Os manifestantes pediram permissão para abrir estabelecimentos, isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), fiscalização de festas clandestinas e transparência nos números de casos e as formas mais adequadas de tratamento de Covid-19 no município.

Para o barbeiro Daniel Barbosa Lima, afirmou estar indignado não apenas o último decreto, mas com todos outros. Segundo ele, as medidas são inconstitucionais por ferirem o direito de ir e vir e os estabelecimentos comerciais não são responsáveis pelo aumento de casos de covid-19 na cidade, já que oferecem álcool em gel e têm entrada controlada, além de exigirem o uso máscaras pelos clientes.

Eu já fico inconformado com isso, pois acredito que é nas chácaras, ranchos e festas clandestinas que as pessoas estão se contaminando e os comércios que estão levando a culpa. E me sinto prejudicado justamente porque tenho contas a pagar e, por isso, agora, tenho que trabalhar escondido. A meu ver, faz mais sentido eu atender uma pessoa por vez em meu estabelecimento do que ficar visitando pessoa por pessoa”, declarou Lima.

O autônomo José Elias dos Ramos, disse que o decreto é insuficiente para diminuir os números de infectados pelo novo coronavírus.

Essa nova medida apenas piora a situação. Por exemplo, se todos devem ficar em casa, caso uma pessoa queira comprar leite e tenha apenas R$5, já não será possível devido à taxa de entrega. O receio é que, decorrente da falta de trabalho e dinheiro, as pessoas comecem a saquear para conseguir alimentos. Se tudo que foi feito, não resolveu, por que agora iria, e ainda mais desta forma”, finalizou.


Vice-prefeito pede compreensão

Foto: Divulgação

PASSOS – O vice-prefeito de Passos, Arlindo Nascimento, se dispôs a atender alguns manifestantes pessoalmente. Ele declarou que a medida restritiva é temporária e, caso haja necessidade, o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) oferece cestas básicas. O vice também pediu compreensão com a situação daqueles que estão internados e morreram em decorrência da covid-19.

Há dois lados, tanto a situação econômica, como o estado de saúde alarmante. Atualmente, cerca de 50% dos leitos ocupados nas Unidades de terapia intensiva (UTI) atendem pessoas da cidade e demais moradores das 27 cidades que integram a regional de saúde de Passos. O jeito é esperar que, com esse período restritivo, as infecções por covid-19 diminuam para que nossa situação melhore. Vamos considerar a isenção de IPTU e analisar os casos necessários”, declarou Nascimento.

Ele também disse que, com o feriado, muitos vão às ruas e avenidas apenas para passear, se aglomeram e podem aumentar os casos e, por isso e outros motivos, o decreto é tão restritivo. Apesar do esclarecimento, os passenses no local contestaram e disseram que não querem ganhar alimentos, mas trabalhar, e que fechar o comércio não é solução.