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Ivermectina some das farmácias

Por Ézio Santos / Especial

7 de julho de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – A informação divulgada desde o início deste mês através das redes sociais e sites em todo o país de que o vermífugo ivermectina previne o contágio do novo coronavírus fez com o estoque do medicamento nas farmácias de Passos zerasse, inclusive na Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Os principais órgãos de Saúde no Brasil afirmam que não existem evidências científicas de que, isolado ou associado, o fármaco colabore para melhor evolução clínica dos casos da covid-19.

A reportagem entrou em contato mais de dez drogarias de Passos e todas estavam sem a ivermectina que é vendida sem receita médica e indicada para tratamento de males causados por vermes ou parasitas, como sarna, lombriga e piolho, por exemplo.

Neste final de semana vendemos tudo, tanto a caixa com dois ou quatro comprimidos. E não é encontrada nem nas distribuidoras”, afirmou o atendente Donizete Antônio Teodoro.

Temos muitos annita, também antiparasitário, mas é comercializado apenas com receita, e não sai como a outra marca”, completou.

Também não temos mais para vender. Saiu tudo nos últimos dias e não sei se vai chegar tão logo. Os laboratórios não estão atendendo a demanda, falta matéria prima e cada vez que chega o preço é aumentado. Dois comprimidos custam R$ 9 e passou a valer R$ 13”, comentou Nelson Belmiro de Lima, proprietário de uma rede.

Estava vendendo aos montes e acabou tudo. Só no fim de semana entreguei seis caixas com quatro drágeas em um condomínio fechado de Passos. O interessante é que só as pessoas do centro que compram ivermectina. Os moradores de bairros são pouquíssimos. Não sei se é falta de informação”, declarou Cleber Ulisses Silva, gerente de outra rede.

O que você também vai ler neste artigo:

  • SMS 
  • Anvisa diz que não há comprovação científica

SMS

O diretor da Média Complexidade da SMS, Maxwell Messias Ribeiro, revelou que antes mesmo da pandemia, vários medicamentos que a partir do início da crise viral eram indicados por alguns médicos da Rede Pública Municipal de Saúde para combater a covid-19, fizeram com que as prateleiras da Farmácia Básica da prefeitura fosse esvaziando.

A prefeitura está finalizando o processo licitatório, inclusive a compra emergencial de variados remédios que são distribuídos gratuitamente à população”, afirmou.

Max informou que dipirona, paracetamol, floratil, dramin e outros mais comuns, hoje são entregues mediante receita médica na Farmácia Básica da prefeitura, porém os indicados para o combate à covid-19, como ivermectina, hidroxicloroquina, azitromicina e dexametazona, por exemplo, estão em falta.

De acordo com uma das leis federais, a administração tem R$50 mil para a compra emergencial, além da licitação que vai garantir o fornecimento ininterrupto por um ano”, assegurou o diretor.

A prescrição de qualquer medicamento para melhor evolução clínica dos casos suspeitos da covid-19 de acordo com a conduta médica dos profissionais da área de saúde da prefeitura, Max contou que os pacientes são obrigados a assinarem o termo de responsabilidade de estar ciente do provável risco de sofrer efeitos colaterais ou até levar à morte.

A Farmácia Básica e Unidade de Pronto Atendimento (UPA) são os únicos locais onde há estoque de fármacos comprados pela prefeitura. O secretário Municipal de Saúde, Evandro Bogo, preferiu não se manifestar porque assumiu a função há pouco mais de um mês e não está totalmente inteirado sobre o assunto.

Anvisa diz que não há comprovação científica

PASSOS – Na bula disponibilizada no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), consta que o uso do medicamento ivermectina para tratamento da covid-19 está sendo embasado em estudos in vitro e na clínica médica, não sendo possível, no momento, confirmar cientificamente a sua indicação para o combate do vírus.

No entanto, há relatos do seu uso clínico relacionado a bons prognósticos, o que tem ganhado força no meio médico, fazendo com que aumentasse a sua procura nas farmácias”, justifica Tarso Bortolini, vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF-RS).

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia publicou, em 29 de junho, um posicionamento sobre tratamento e profilaxia de coronavírus. A entidade destacou que “não existem evidências científicas de que quaisquer das medicações disponíveis no Brasil, tais como ivermectina, cloroquina ou hidroxicloroquina, isoladas ou associadamente, colaborem para melhor evolução clínica dos casos. Isso também é verdade para vitaminas, como, por exemplo, a C e a D, e suplementos alimentares contendo zinco ou outros nutrientes. Redes sociais não são textos médicos e, com frequência, transmitem informações infundadas, impulsionadas por interesses obscuros”.