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Igreja volta atrás e suspende missas presenciais em Piumhi

Laura Oliveira Hostalácio / Folha com Onda Oeste FM

1 de julho de 2020

Foto: Divulgação

PIUMHI – Durante celebração de missa virtual neste domingo, 28, os padres da Diocese de Luz de Piumhi anunciaram o cancelamento da retomada das celebrações abertas aos fiéis, como haviam divulgado na última sexta-feira, 26. De acordo com o padre Antônio de Simone, a justificativa do adiamento das missas é o crescente número de casos confirmados infecção pelo novo coronavírus no município. Segundo boletim epidemiológico divulgado ontem pela prefeitura, a cidade já registrou 29 casos confirmados e três óbitos.

Na região, o número de casos confirmados já chegou a 259, há dez mortes confirmadas e um óbito em investigação, segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e de prefeituras. Em Carmo do Rio Claro, dois novos casos foram confirmados nesta segunda-feira, sendo um deles o de um médico que atendiano ESF Pedro Antônio de Melo no Jardim América.

Em dez dias, o aumento no número de casos em Piumhi foi de 145%. A média tem sido de dois novos registros por dia, o que vem preocupado a população, uma das justificativas do cancelamento de missas presenciais. “Voltamos atrás porque a igreja hoje escuta o seu povo”, afirmou padre Antônio.

De acordo com o padre, após uma conversa com o presidente da Câmara Municipal, Antônio Astésio, a decisão tomada foi reavaliar a decisão de retomar as missas.

Hoje, nós voltamos atrás, revemos, repensamos, nós não somos uma igreja absolutista, somos uma igreja mais participativa”, disse ele.

O padre Daniel Rodrigues, da Paróquia Nossa Senhora do Livramento, lamentou as críticas feitas à igreja e aos padres pela decisão anterior de realizar missas com a presença de fiéis.

Tivemos essas críticas. Umas a gente considera outras não. Por exemplo, que a igreja está voltando porque ela quer dinheiro, que a igreja sempre fez coisa errada desde a idade média. Esse tipo de crítica que a gente recebeu. Agora ninguém vê que a igreja, neste tempo de pandemia, está oferecendo 150 marmitas, toda semana, para as pessoas carentes”, ressaltou o padre Daniel, “Todo mundo tem o direito de falar coisa boa e coisa que não presta”, disse.

Ele afirmou que os questionamentos surgem até mesmo dentro da própria igreja. “Dá impressão que o padre está com preguiça de celebrar, mas não é isso. Nossa intenção era das melhores”, disse. Assim, o padre insiste que a pressão popular para a retomada das missas não é construtiva. “A gente está cansado de ter que responder isso, e de não ter uma resposta. O dia que tiver que voltar, vai voltar, e já não depende de nós, padres”, ressaltou.