Destaques Saúde

Idosos lamentam a proibição de bailes

Por Ézio Santos/ Especial

6 de abril de 2021

Foto: Divulgação

PASSOS – Desde o anúncio da pandemia do novo coronavírus no Brasil, no início de 2020, eventos públicos de qualquer natureza foram suspensos para evitar aglomerações. Para os idosos, a situação é bem mais delicada, porque além de pertencerem ao grupo de risco, estão sendo obrigados a permanecer recolhidos em casa e impedidos de participar de qualquer tipo de diversão coletiva, principalmente o lazer, como os tradicionais bailes.

Comuns em todo o país, entidades ou clubes particulares promoviam, principalmente nos fins de semana, shows musicais em recintos fechados exclusivos para a terceira idade se divertir. Hoje, com os salões de dança fechados, resta esperar a pandemia passar para voltar aos bailas.

Um dos mais antigos clubes de Passos que reunia, aos sábados e domingos associados casados, amasiados, viúvos, divorciados e solteiros acima de 50 anos, está fechado há mais de quatro anos.

Sem sede própria, tivemos de pagar aluguel do salão, além de muitas outras despesas. Um ex-sócio abriu uma casa de evento particular e nos prejudicou, além das mensalidades que não eram quitadas rigorosamente. Ficou inviável manter as atividades”, afirmou Rosângela Librelon Santos, de 56 anos, presidente do inativo Clube Bem Viver.

Para ela, a pandemia atinge bem mais os idosos do que os jovens ou pessoas de meia-idade, porque ainda têm algumas opções de diversão, mesmo isoladamente.

Veja bem. Os mais velhos trabalharam a vida toda para continuar se divertindo, principalmente os solteirões e viúvos. Hoje, além de ficar em casa para não contrair a covid-19, não podem ao menos ter uma renda extra. Gasta todo o salário da aposentadoria para sobreviver, em razão de membros da família estarem desempregados”, lamentou a solteira e funcionária pública aposentada.

Maria Rosário de Oliveira, 73, conta que tem convivido com a pandemia de forma que jamais imaginaria a covid-19 um dia.

Antes, eu ia para os bailes quase todos os finais de semana em Passos e cidades vizinhas. Era bom demais. Agora, é só tristeza. Até os exercícios físicos no clube estão suspensos. O jeito é ficar em casa e não correr risco de ficar depressiva. Leio de tudo, assisto TV, filme, produzo bolos para doações e acabo engordando bastante (sic)”, relatou a professora aposentada, mas que mantém um relacionamento estável há mais de 20 anos.

O encadernador artesanal, Nicácio Garcia dos Santos, também viúvo de 73 anos, é outro que lamenta a suspensão dos bailes.

É muito triste. Todos os finais de semana eu ia para o ‘rala coxa’. Antes era com minha ex-esposa, depois com a finada mulher, e por último sozinho, mas lá tinha muitas parceiras para dançar. Moro sozinho e nos finais de semana não faço nada. A solidão é minha companheira, porque não gosto muito de televisão, rádio etc. Fica em casa para o vírus não me achar”, brincou.


Unabem reúne cadastrados em rede social na pandemia

Bailes que a Unabem promovia, em eventos socioeducativos. / Foto: Divulgação

PASSOS – Além de ser um projeto socioeducativo gratuito voltado também para o idoso, a Universidade Aberta para Maturidade (Unabem) da Universidade do Estado de Minas Gerais, unidade Passos, também mantinha atividades recreativas como encontros para dançar.

Por causa da pandemia, dos 263 membros cadastrados, entre 60 e 94 anos, 167 fazem parte do grupo no WhatsApp. Os demais, chamados carinhosamente de alunos, a presidente do Centro Acadêmico do órgão, Leila Andrade Suhadolnik, disse não saber o paradeiro durante a crise epidemiológica.

Desde o ano passado estamos unidos via on-line. Todas as terças e quintas-feiras temos aulas de assuntos diversificados, além dos desafios semanais propostos pelos membros do grupo, ‘Faça Você Mesmo’, neurovida e musicoterapia. Sempre às sextas-feiras acontecem as Cantorias organizadas pela aluna Virginia. Cada um de sua casa grava áudios ou vídeos de músicas românticas, sertanejas e outras e postam no grupo. É uma atividade muito alegre e todos gostam. É bem legal. Recentemente eles aprenderam como identificar e não espalhar as fakes news. A pandemia não deixa de amedrontar todos nós e alertamos sempre sobre prevenção e contágio. De vez em quando, algum aluno posta fotos antigas dos encontros dançantes ou aulas presenciais e deixam todos felizes”, contou
Andrade.