Destaques Saúde

Hospitais suspendem cirurgias por falta de medicamentos

Nathália Araújo / Redação

26 de junho de 2020

Veneráveis das 5 lojas maçônicas descartaram qualquer campanha de ‘tratamento precoce’. / Foto: Divulgação

PASSOS – Procedimentos eletivos estão temporariamente suspensos nas unidades de saúde de algumas cidades da região devido à falta de medicamentos essenciais para cirurgias. Trata-se de um problema de âmbito nacional, já que os fornecedores enfrentam dificuldades para acompanhar o aumento na demanda por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus.

O Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria da República em Minas Gerais, divulgou um ofício notificando sobre a situação e explicando que a falta dos insumos é sentida principalmente nos atendimentos das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), incluindo o processo de entubação de pacientes graves infectados por covid-19 e que necessitam de analgésicos, sedativos, opioides e relaxantes musculares.

No documento, consta uma nota do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), que denuncia a redução dos estoques dos fornecedores e, consequentemente, a indisponibilidade dos medicamentos em hospitais públicos e privados de Minas Gerais durante o período de pandemia. O comunicado reconhece que, em decorrência da falta das substâncias, os profissionais podem ser impedidos de realizar a assistência necessária aos pacientes, ocasionando no aumento de casos de insuficiência respiratória grave e de mortalidade.

Em Passos, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, da Santa Casa de Misericórdia, decidiu suspender os procedimentos com o intuito de priorizar as eventuais emergências. A instituição anunciou que já procura soluções para adquirir os medicamentos e enfrentar a crise de desabastecimento que afeta os procedimentos realizados em hospitais de todo o país.

O Instituto São Vicente de Paulo, de Cássia, cancelou as cirurgias em março, quando foram determinadas as medidas de isolamento social para conter o coronavírus.

Foi preciso suspender tudo, mas é claro que, se ainda estivéssemos realizando as cirurgias, estas seriam prejudicadas pela falta de medicamentos. Inclusive, mesmo neste cenário de paralisação, já enfrentamos dificuldades para adquirir determinados fármacos”, apontou Lourival Chaves de Figueiredo, médico e diretor da instituição.

Amanda Paula da Costa, diretora financeira da Santa Casa de Misericórdia de Piumhi, conta que a unidade está avaliando, diariamente, a possibilidade de também suspender os procedimentos, visto que possui estoque para mais 30 dias.

Ainda não cancelamos totalmente e estamos analisando a situação, porque realmente estamos com muita dificuldade para realizar a compra. Neste momento, o Brasil precisa de mais medicamentos por conta do grande número de pessoas que contraíram o coronavírus, mas os estoques estão baixos e é necessário resolver esse problema o mais rápido possível”, destacou.

A Santa Casa de Misericórdia de São Sebastião do Paraíso continua oferecendo o serviço durante esta semana e ainda possui uma boa quantidade de medicamentos estocados, contudo, também não tem conseguido adquirir mais insumos para as cirurgias.

“Não sabemos quanto tempo a reserva ainda deve durar, mas nossa farmácia ainda está equipada. Nas próximas semanas, a equipe médica deverá reavaliar a situação para fazer novas determinações”, informou a assessoria de comunicação do hospital.

Por meio da Superintendência de Assistência Farmacêutica, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que a aquisição dos recursos é realizada pelas unidades hospitalares e que as que estão sob domínio do Estado ainda possuem grandes quantidades estocadas. Para contribuir no auxílio às instituições, o órgão responsável comunicou que está avaliando possíveis maneiras para disponibilizar os medicamentos.