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Fisioterapeuta explica os benefícios dos exercícios de Kegel

16 de março de 2021

A fisioterapeuta da Unimed Sudoeste de Minas, Heloísa Sousa, explica que um dos benefícios da prática dos exercícios de Kegel é a prevenção da incontinência urinária. / Foto: Divulgação

Sabia que existe uma série de exercícios que podem te ajudar a evitar a incontinência urinária e até mesmo preparar futuras mamães para um parto mais tranquilo? Os exercícios de Kegel são feitos com a contração e relaxamento dos músculos do assoalho pélvico (pubococcígeno) com o objetivo de restaurar o tônus muscular e receberam este nome porque foram criados em 1940 por Arnold Kegel. O músculo pubococcígeno está presente tanto no homem, quanto na mulher. Ele vai do osso púbico até o cóccix, sendo um dos principais músculos do assoalho pélvico.

Os músculos do assoalho pélvico apresentam função de sustentar os órgãos pélvicos e manter funções fisiológicas de armazenamento e eliminação dos produtos de excreção da bexiga e do reto. Com os exercícios de Kegel, pode-se trabalhar na prevenção do enfraquecimento desta musculatura, com indicação em algumas fases da vida como gestação, puerpério e climáterio.

Independente de a pessoa apresentar sintomas de enfraquecimento desta região é aconselhável fazer um programa de exercícios de reabilitação do assoalho pélvico adequado para cada caso, o que aumenta a força muscular e conscientização desta região. Quando a musculatura desta região está enfraquecida, alguns sintomas são sinal de alerta como perda urinária e fecal, constipação intestinal, dores crônicas na região genital, disfunção sexual e prolapso dos órgãos pélvicos (queda dos órgãos intra-abdominais).

Os exercícios de Kegel são indicados para quem sofre de perda involuntária de urina, como treino para o parto normal e para diminui dores e tempo no trabalho de parto, além de melhorar o contato íntimo na relação sexual.

Pode-se citar ainda melhoria no funcionamento intestinal e aumento da circulação local. Não existe uma idade específica para realização. São exercícios simples que podem ser realizados em casa”, acrescenta a fisioterapeuta da Unimed Sudoeste de Minas, Heloísa Sousa.

No caso de gestantes, os exercícios são importantes antes, durante e depois da gestação.

Durante a gravidez o peso do bebê enfraquece os músculos do assoalho pélvico e o trabalho de parto exige muito esforço da mulher para expulsar o bebê. Quando o bebê desce para o canal do parto, ele alonga a musculatura do assoalho pélvico, podendo levar à incontinência urinária, prolapsos e disfunções sexuais. São alguns benefícios dos exercícios facilitar o parto; aumentar a circulação sanguínea local, prevenindo hemorroidas; no pós-parto, previne o prolapso vaginal ou uterino; ajuda a retornar as atividades pós-parto; recuperar a vida sexual e diminuir a chance de intervenções cirúrgicas”, detalha Heloísa.

Fisioterapia Pélvica atua nas funções do assoalho pélvico

Os exercícios de Kegel são um complemento da fisioterapia pélvica, que tem como objetivo atuar nas disfunções do assoalho pélvico com exercícios que visam o fortalecimento desta musculatura. Também existem dispositivos como o de bio feedback através do qual o fisioterapeuta, em tempo real, consegue ver se atividade do músculo está realmente sendo trabalhada.

Com o eletroestimulador através de uma sonda introduzida no canal vaginal, o fisioterapeuta envia pequenos impulsos elétricos para que atinjam o músculo que tendem a contrair. Os Cones vaginais também são um ótimo recurso. Trata-se de pequenas cápsulas anatômicas com um formato cônico de estrutura de aço inoxidável e revestidas com uma camada plástica e com um fio na ponta para facilitar a retirada que ajudam a exercitar a musculatura pélvica. Apresenta-se como um kit de, normalmente, seis cones de diferentes cores que variam o peso. A paciente introduz o cone na vagina como um absorvente interno e realiza exercícios de contração e relaxamento da musculatura pélvica, podendo ser feito em casa durante atividades rotineiras como trabalhar, caminhar, subir escadas entre outros. Caso a pessoa perceba que o dispositivo esteja caindo, ele deve realizar uma contração para sustentá-lo”, finaliza Heloísa.