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Filha de passense que mora na China fala sobre pandemia e vacina no Brasil

Por Adriana Dias / Redação

27 de janeiro de 2021

Jessica Bahia Galvão está na China desde 2019 e disse só voltar ao Brasil quando sentir segurança com relação à pandemia. / Foto: Acervo Pessoal

PASSOS – No dia 10 de fevereiro de 2020, a Folha da Manhã fez a primeira entrevista sobre a covid-19, com Jessica Bahia Galvão Santos, goiana, mas passense de coração, bisneta de Francisco Avelino Maia. Seu padrasto, Edilberto Maia da Silveira, é natural de Passos.


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A jovem é graduada em Relações Internacionais e mora na China, onde trabalha. Em 8 de fevereiro daquele ano, a China contava com 34.664 pessoas afetadas e 724 mortes. Ainda não haviam casos registrados no Brasil, a primeira confirmação foi em 26 de fevereiro, em São Paulo. Hoje, a reportagem volta a falar com Jessica que continua em terras chinesas.

Jessica conta que desde o dia 30 de novembro de 2019 está na China e que fez a quarentena por aproximadamente dois meses em Xangai. Começou por volta do fim de janeiro de 2020. Ela tinha planos de vir ao Brasil durante o feriado do ano novo chinês, porém, como a situação ainda é grave, pretende viajar em outubro, mas apenas se a pandemia tiver passado.

Por sorte, a quarentena começou logo no feriado do ano novo chinês, então ficamos todos de quarentena em casa. Em toda Xangai, apenas moradores do condomínio poderiam sair e entrar, visitantes foram proibidos. Após o feriado, trabalhamos também de casa até a situação melhorar. Temos trabalhado do escritório desde março porque aqui em Xangai foi muito bem controlado e a quarentena não durou tanto tempo. As pessoas, de fato, ficaram em casa, fora poucos comércios como mercados, por exemplo, que estavam abertos. Uma vez que voltamos a circular nas ruas, o uso de máscara foi tido como obrigatório e, após um ano, ainda é. Principalmente em transporte público e locais de grande circulação de pessoas. Temos também um código QR que indica se as áreas onde estivemos são de risco ou não. Se o código estiver verde, então quer dizer que você não tem risco. Acredito que o último ano foi um período de adaptação, muito trabalho e um período para cuidar de mim mesma”, afirmou.

A brasileira disse que, no geral, acredita que o que passou após o período da quarentena foi bem tranquilo comparado com outros lugares.

Cheguei até a viajar de férias por alguns dias para o norte da China, no começo de janeiro. Tive que fazer o teste quando voltei e, apesar de necessário, não é confortável. Como esperado, o teste deu negativo. Por meses não tivemos novos casos em Xangai, somente agora, no fim janeiro de 2021, que foram confirmados alguns novos casos aqui na cidade, pouquíssimos, cerca de nove. Com a primeira suspeita, o governo já tomou medidas necessárias e a situação está sob controle. Então continuamos a trabalhar no escritório e levar nosso cotidiano de acordo com o novo normal”, apontou.

Mesmo sem ter recebido a vacina, pois em Xangai foram abertas para o público no começo deste mês, Jessica explicou que os primeiros a serem vacinados são casos com mais urgência, como viagem de estudo ou trabalho para o exterior e grupos de risco. Existe uma lista na qual a população pode se registrar para receber a vacina quando disponível.


Brasil

Sobre a questão da pandemia e da vacinação no Brasil, Jessica alerta que a situação no país é instável e que o governo deveria liberar, no mínimo, verbas para vacinação de todos os que trabalham com saúde e que estão atendendo diariamente pacientes infectados, além da liberação, também, para todas as pessoas do grupo de risco.

A vacina é extremamente importante. Sabemos que, talvez, no primeiro momento não seja possível vacinar a todos, mas o governo deve se manifestar de forma a organizar projetos e medidas para garantir a vacinação da população. Como o exemplo de Passos, em que foram disponibilizadas 1.000 doses, é um grupo muito pequeno comparado com a população total da cidade de quase 120 mil habitantes”, salientou.

Jessica diz ainda que se o governo federal não trabalhar junto com os governos estaduais e parceiros externos, a situação vai continuar caótica e os hospitais continuarão lotados.

Saúde é um tema de suma importância não somente no Brasil, mas, em todos os países e deve ser colocado em primeiro lugar, principalmente na atual conjuntura que vivemos. Não podemos ficar culpando ou reclamando da situação. Medidas devem ser tomadas para que o problema seja resolvido. Já tivemos perdas imensuráveis inclusive de pessoas que morreram por falta de oxigênio, como nos casos em Manaus. Se, através da vacinação, temos a oportunidade de salvar em vez perder mais vidas, logo o governo deve, sim, buscar um planejamento organizacional para garantir que as vacinas estejam disponíveis à população. Vale lembrar também que não é somente o governo que tem que tomar atitude, toda a população deve continuar buscando manter as medidas preventivas e evitar aglomerações desnecessárias. Mesmo após um ano de covid-19, ainda temos milhares de mortes por todo o país. Enquanto as pessoas não tiverem consciência que é preciso continuar se precavendo, acredito que a situação não vá melhorar”, alertou.