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Estudo da Uemg indica efeito ‘sanfona’ entre decretos e casos e óbitos em Passos

Por Adriana Dias / Redação

23 de agosto de 2021

Foto: Helder Almeida

PASSOS – Estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) Unidade Passos, referente aos meses de março de 2020 e abril de 2021, aponta um efeito “sanfona” entre os decretos municipais e a evolução da covid-19 em referência a óbitos e casos ocorridos no município.

Os resultados serão publicados no Encontro Brasileiro de Administração Pública (Ebap) 2021, que será apresentado em novembro deste ano em Brasília. De acordo com grupo, os decretos foram reativos, e não preventivos.

Para o professor e coordenador da Empresa Júnior de Administração e subcoordenador do curso Tecnológico em Gestão Comercial da Uemg, Reinaldo Antonio Bastos Filho, a pesquisa, coordenada por ele, contou com a participação do professor e coordenador do curso de Gestão Comercial, Hugo Marques, e das alunas Maristella Rossi Tomazeli, do curso de Direito, e Adriana Pereira Costa, de Publicidade e Propaganda.

“A pesquisa utilizou dados secundários (documentos e planilhas oficiais) fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento. Além disso, utilizou-se da pesquisa bibliográfica para embasamento da revisão de literatura e discussões dos dados. Os dados foram analisados por meio da estatística descritiva simples e expostos por meio de tabelas e gráficos. Os resultados apontam que os decretos são publicados, em maior quantidade, e mais restritivos (em termos de distanciamento físico e funcionamento de comércio), de forma reativa ao aumento dos casos positivos e óbitos e não como ferramenta de prevenção a esses fatos”, salientou Bastos Filho.

Ainda conforme a pesquisa, à medida que aumentavam os casos, a prefeitura promulgava um número maior de decretos, mais restritivos, e, quando os números diminuíam, as restrições eram flexibilizadas.

“Após análise dos decretos (49), percebe-se que no ano de 2020 houve apenas uma adoção de onda amarela, de acordo com determinações do Minas Consciente. Já no ano de 2021 em quatro meses de análise, janeiro a abril, tivemos a promulgação de três decretos que aderiram à onda vermelha, um decreto voltando à onda amarela e um aderindo à onda roxa. Em suma, em todos os meses analisados, do ano de 2021, houve adoção de alguma onda do Minas Consciente”, explicou.

Com a rigidez das restrições, por meio da adoção da onda amarela é que houve contenção do vírus, seja nos dados de casos positivos, seja no número de óbitos nos três meses que se seguiram. Por outro lado, quando houve a flexibilização, nos meses de novembro e dezembro de 2020, meses que não houve promulgação de nenhum decreto, percebe-se o maior aumento até então do número de casos e de óbitos na somatória de dezembro de 2020 e janeiro de 2021.

Segundo o estudo, o aumento nos casos e em óbitos, confirmado em janeiro, fez com que um decreto ainda mais rígido fosse promulgado, adotando assim, pela primeira vez no município, a onda vermelha. O efeito desse decreto já é percebido no mês de fevereiro, com considerável baixa nos casos positivos e óbitos. Após a volta à amarela, por meio de novo decreto, percebe-se aumento dos casos e mortes no mês de março de 2021, quando o governo do Estado de Minas impõe, em alguns municípios, dentre eles Passos, a onda roxa, a mais restritiva do programa, o que acarretou queda no número de casos, mas não em óbitos. Segundo o estudo, não há dados suficientes para explicar o aumento nas mortes.

Dados

Entre março e junho de 2020, Passos registrou seis óbitos e foram notificados 121 casos positivos. Neste período, foram promulgados 14 decretos. De julho a outubro de 2020, quando o município registrou 23 óbitos e 1.280 casos de covid-19, a prefeitura editou 19 decretos, sendo um deles adotando a onda amarela, em agosto de 2020.

Em novembro e dezembro de 2020, Passos teve quatro óbitos, 823 casos positivos e nenhum decreto promulgado.Nos quatro primeiros meses de 2021, foram registrados 121 óbitos e 3.285 casos da doença. Nesse período, 16 decretos promulgados, sendo um de onda amarela, dous referentes à onda vermelha e um à onda roxa.