Saúde

Engenheiro aponta que isolamento pode conter avanço da covid-19

30 de março de 2020

BELO HORIZONTE – O engenheiro eletricista e ex-político, Gilberto Almeida, está em isolamento social por fazer parte do grupo de risco (idoso e diabético). Segundo ele, neste período sem ter muito o que fazer, e por gostar de pesquisar dados, conseguiu realizar um levantamento que aponta, numericamente que o isolamento pode conter o avanço da doença covid-19.
Na sexta-feira, 27, as secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até 16h30 o levantamento de 3.099 casos confirmados do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil, que já contava com 77 mortos, 58 deles em São Paulo, de acordo com a secretaria de Saúde do estado e nenhuma morte em Minas Gerais.
“Acho arriscado interromper o isolamento no instante em que estamos próximos de levar a contaminação a índices muito pequenos. De fato é necessário colocar a economia para funcionar, mas não será tão complexo esperar mais uns poucos dias. Além disso, o isolamento vertical facilita o convívio dos idosos com familiares jovens que estão sujeitos ao vírus e a curva voltar a crescer. Estamos em um momento de interesses paradoxais que precisam ser equilibrados ouvindo especialistas de saúde pública e economistas”, afirmou Almeida.
Pela tabela com início no dia 3 de março, com duas pessoas infectadas e seguindo até nesta sexta-feira, 27, com 3.417 casos no Brasil, fica claro que o pico de casos aconteceu no dia 8 com o número de casos em 8 suspeitos de contaminação na porcentagem de 167. Já no dia 11 com 68 casos, caiu para 100%. O menor índice encontrado foi no dia 25 com 2.433 casos representando 11%. Nesta sexta-feira os casos estão em 3.417 representando com 17%.
Conforme o gráfico, a linha tracejada é a chamada linha de tendência pelo método de regressão linear. A área abaixo do tracejado do desenho gráfico é igual a área acima, portanto, lineariza a curva do gráfico apontando tendência. Como a inclinação da linha de tendência é negativa, significa que é decrescente.
“Se prolongarmos a linha tracejada a partir da seta veremos a tendência futura. E, se não houver mudança de comportamento pode ser que em torno do dia 7 de abril a contaminação será muito pequena”, afirmou Almeida.
Ainda conforme o engenheiro, a estatística mostra a tendência dos números, mas não leva em conta mudanças de variáveis. “Por isto, observar o comportamento dos números quando completarmos o tempo de recolhimento em 14 dias que é o ciclo do vírus, teremos mais clareza para que as autoridades tomem decisão. Na verdade, os números absolutos de doentes está crescendo, mas em uma proporção cada vez menor, e por isso, o caminho é o da prudência. Por outro lado, o agravamento do número de mortes é consequência dos já infectados e não do crescimento da doença. Se a contaminação diminui a tendência é melhorar, principalmente levando em conta que o número de pessoas que se curaram e adquiriram imunidade no mundo caminha para 200 mil doentes e isso ninguém divulga. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 80% dos contaminados se curam apenas com tratamento sem internação ou uso de respirador (entre 5 e 6%)”, finalizou.