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Doações de órgãos diminuem na Sta. Casa

Por Ézio Santos/ Especial

24 de agosto de 2020

O serviço de transplante renal é outro procedimento médico afetado, com a redução da oferta local de rins. / Foto: Divulgação

PASSOS – A Comissão Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) da Santa Casa de Misericórdia de Passos, através do coordenador do nefrologista Giovanni Henrique Verçosa, revelou que no primeiro semestre de 2020 houve queda de doações consentidas em casos de morte encefálica jamais vista na história do hospital. O serviço de transplante renal é outro procedimento médico afetado, com a redução da oferta local de rins para transplante nos seis primeiros meses do ano.

Verçosa credita a redução na doação de órgãos e tecidos, principalmente à negação por parte das famílias no momento da comunicação relacionada à morte encefálica.

As famílias estão bastante fragilizadas nesse período da pandemia, assim, a razão para a negação foi na maioria absoluta dos casos o receio de demora do processo. Pudemos notar também, apesar do esforço do Ministério da Saúde, que recentemente atualizou a portaria orientando sobre a captação de órgãos no país, diminuindo o tempo para a realização dos exames, a pandemia teve efeito contrário, causando mais atrasos, pois há agora a necessidade de descartarmos, inclusive, a covid-19. Além disso, os serviços de transporte rodoviário não voltaram ao funcionamento normal, reduzindo o número de horários de saída de ônibus de passageiros, responsáveis pelo traslado do soro utilizado para realização dos exames laboratoriais necessários”, explicou.

Em função dos motivos apontados, o nefrologista revelou que apenas uma doação de múltiplos foi autorizada no primeiro semestre de 2020, contra seis de janeiro a junho no ano passado, quando foram captados dez rins, cinco fígados, 12 córneas e um coração.

O serviço de transplante renal da Santa Casa também vem sendo um pouco afetado, por essa queda na captação. Foram 11 transplantes de rins ao longo de 2019, e oito até julho de 2020. A grande maioria foi captada de indivíduos de outros municípios, o oposto do ocorrido em 2019”, afirmou Verçosa.

A Comissão Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes é responsável pela identificação, acompanhamento, realização do protocolo diagnóstico de morte encefálica no âmbito do hospital.

Fazemos ainda o acolhimento e damos suporte social e psicológico às famílias desses pacientes com graves lesões neurológicas, durante todo o processo”, ressaltou o nefrologista.

Resta acrescentar que o sucesso do programa de captação de órgãos e transplantes depende da conscientização da sociedade como um todo. Somos todos irmãos nessa luta. A solidariedade, a compaixão e a empatia com o próximo que precisa de um órgão para sobreviver é importante, como nos receptores de coração, pulmões, fígado que dependem da doação para sobreviver ou naqueles em que podemos melhorar a qualidade de vida, voltando a ter visão, ou recebem um rim e saem da máquina de diálise, ou podem receber um enxerto de pele ou osso para corrigir um problema físico”, declarou Verçosa.

Atualmente, o único procedimento na Santa Casa de Passos relacionado a transplantações de órgãos é o renal. Em anos passados foram realizados também de córneas.