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Dieta ajuda a melhorar doenças inflamatórias do intestino

9 de junho de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – Segundo estimativa do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (Gediib), as Doenças Inflamatórias do Intestino (DII) atingem cerca de 13 pessoas em cada 100 mil habitantes no país. Dentre os casos mais comuns, estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, atingindo respectivamente 53% e 46% dos pacientes que sofrem com DII.

De acordo com a nutricionista Mara Soares Rodrigues, a desnutrição protéico-energética é comum em casos destas enfermidades, como também a carência de micronutrientes.

Dentre os fatores que podem levar a essa desnutrição, podemos citar a diminuição significativa da ingestão alimentar, má absorção de nutrientes, aumento das perdas gastrointestinais e necessidades nutricionais aumentadas”, explicou.

Segundo a profissional, alguns sintomas das DIIs são diarreia com presença de muco e sangue, dor abdominal, febre, emagrecimento, anemia e, em crianças, atraso no desenvolvimento.

Nas duas enfermidades podem estar presentes manifestações extra-intestinais, como artralgia, artrite, lesões cutâneas e hepatopatias”, afirma.

A nutricionista disse que a terapia nutricional, em casos como esses, se mostra como recurso útil e pode ser iniciada para todos os pacientes com o estado nutricional comprometido como medida em situações de má evolução clínica e nas fases de atividade da doença.

Ela alerta ainda que, para a maioria dos pacientes, a recomendação mais importante é consumir uma dieta rica em proteínas e com calorias suficientes para manter e ou recuperar o peso, ou apoiar o crescimento em crianças e adolescentes.

De acordo com a profissional, a necessidade de restrições alimentares deve ser examinada criteriosamente.

Algumas pesquisas realizadas não conseguiram demonstrar que dietas com baixo resíduo, alto teor de fibras e baixo teor de açúcar refinado interfiram na manutenção da remissão da doença. Outros estudos sugerem que a exclusão de alimentos específicos com base na tolerância individual melhora a evolução da doença de Crohn em curto prazo”, afirma.

O que se observa na prática clínica é que, na fase exacerbada e sintomática, alimentos como vegetais crus, condimentos, café, feijão, leite, frituras e doces não são bem tolerados. Nesse momento, recomenda-se a ingestão de alimentos constipantes e fontes de fibras solúveis como abacate, maça, pera, laranja, banana prata, aveia, legumes, batata-doce, nabo, aspargos, couve de bruxelas, tofu, figo seco e linhaça, também podem ser suplementados em casos de restrição alimentar”, declarou a nutricionista.

Segundo Mara, dependendo da gravidade da inflamação, alguns pacientes podem necessitar de terapia nutricional, pois não toleram quase nenhum alimento. Nesses contextos, pode ser realizado o suporte nutricional através de fórmulas enterais ou por via parenteral por cateter intravenoso central.

A conduta dietética, portanto, é essencial para uma melhor qualidade de vida, tratamento e controle dos sintomas nesses pacientes, tanto na fase de remissão, quanto na de atividade de doença. Fazer o uso de ervas medicinais como boswellia serrata e açafrão também ajudam a melhorar o quadro clínico. Não tem dieta padronizada e específica para DII, cada paciente reagirá de forma diferente, portando a dieta é individualizada de acordo com estilo de vida de cada paciente e aceitação”, relatou Mara.