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Coletivos LGBTI agendam doação de sangue em Passos

Por Ézio Santos / Especial

24 de julho de 2020

O baixo estoque de sangue da fundação atinge os tipos ‘o’ positivo, ‘o’ negativo e ‘a’ positivo. / Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – Os integrantes do Coletivo Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Intersexuais (LGBTI+) do Sind-UTE Subsede Passos, em parceria com os grupos Sementes de Marielle, Voz Plural LGBT+ Uemg/Passos e Aliança Nacional LGBTI+, promovem na próxima segunda-feira, 27, o Dia D – 1ª Campanha de Doação de Sangue. A ação ocorrerá entre 7h e 11h, na sede da unidade regional de Passos da Fundação Hemominas.

Conforme a professora Elisabete Pires de Oliveira, este será o segundo ato do coletivo após o dia 8 de maio de 2020, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou o veto à doação de sangue por pessoas LGBTI+. Antes houve uma ‘live’ em junho, em comemoração ao mês do Orgulho LGBT e ao lançamento oficial do Coletivo Sind-UTE Subsede Passos. Houve transmissão pelo Facebook e YouTube por meio da TV OK.

Desta vez resolvemos organizar o Dia D – 1ª Campanha de Doação de Sangue de qualquer tipo. Acredito que, no mínimo, dez LGBTI+ vão estar no Hemominas, alguns pela primeira vez na vida, como eu mesma, porque antes da aprovação da lei não tínhamos o direito. Convido também os interessados de Passos e região. Todos devem usar máscara facial e manter o distanciamento pessoal de dois metros”, alertou Elisabete.

Sobre a lei, ela contou que muitos hemocentros do país ainda mantiveram o protocolo de não aceitar a doação de homens que se relacionavam sexualmente com pessoas do mesmo sexo, seguindo orientação da própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Ministério da Saúde só determinou o cumprimento da decisão do STF um mês depois, em 12 de junho.

Nosso maior orgulho é ser quem somos. Respeitar as diferenças é preciso. O relator do processo, o ministro Edson Fachin, afirmou que as normas – antes da lei aprovada – geravam uma “discriminação injustificada” e ofendiam o princípio da dignidade da pessoa humana e da igualdade perante outros doadores. Fachin ainda afirmou que “orientação sexual não contamina ninguém. O preconceito, sim”. Acredito que todos LGBTI+ gostaram da frase“, comentou a professora.