Destaques Saúde

Cirurgia rara é realizada em Passos para retirar lesão cerebral

Por Nathália Araújo / Redação

8 de junho de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – Os pombos estão entre as aves mais encontradas nos espaços urbanos, especialmente em áreas abertas como praças e quintais de casas. Além disso, não é difícil encontrar ninhos em telhados, forros e caixas de ar-condicionado. A presença destes pássaros costuma causar incômodo ou até deixar algumas pessoas assustadas, já que eles podem transmitir doenças aos seres humanos, sendo que as mais comuns são alergias, dermatites, gripe aviária, salmonela, meningite e pneumocócica.

Algumas outras enfermidades são mais difíceis e chegam a ser graves, podendo até levar à morte, como é o caso da infecção criptococose. Em Passos, uma mulher de 41 anos foi contaminada pelo fungo causador da chamada “doença do pombo” e precisou passar por uma cirurgia rara, no sistema nervoso central, para retirar uma lesão no cérebro. O procedimento foi realizado no Hospital São José, pelos médicos Marco Antônio de Oliveira e Nícollas Nunes Rabelo.

Marco Antônio de Oliveira, neurocirurgião, explica que a criptococose é considerada como uma doença de saúde pública e é transmitida por esporos presentes nas fezes de pombos.

Este tipo de criptococo se aloja no pulmão, mas raramente vai para a cabeça, onde cria o criptococoma, que é uma espécie de lesão formada pelo fungo. No caso que atendemos, o diagnóstico só foi possível com o exame de biópsia e, na observação física da lesão em cirurgia, a impressão era que se tratava de uma metástase cerebral aspecto maligno”, contou.

O outro médico neurocirurgião que participou do procedimento, Nícollas Nunes Rabelo, revela que os sintomas apresentados pela paciente foram náuseas, vômitos e crise convulsiva.

Este tipo de fungo se difunde à circulação sanguínea, inclusive ao sistema nervoso central. A operação foi realizada com sucesso total e sem intercorrências. Agora, é preciso continuar com a medicação adequada. A utilização de tecnologia e exames bem acurados, são fundamentais para diagnóstico e tratamento”, informou.

O restante do tratamento será realizado pelo médico infectologista, Sérgio Silveira Júnior, que vai utilizar antifúngico a nível ambulatorial.

Biólogo explica porquê não devemos alimentar as aves

PASSOS – Os pombos possuem alguns papéis muito conhecidos, como “pombo da paz” e “pombo mensageiro”, mas a inocência nestes apelidos não mostram a gravidade dos problemas que o pequeno animal pode trazer a saúde. A maior parte das doenças causadas por essas aves são transmitidas pelas fezes, uma vez que concentram diversos fungos e bactérias.

Com a intenção de orientar sobre os cuidados necessários para evitar o contágio por qualquer uma das patologias citadas, Bruno Teixeira Guimarães, referência técnica da Vigilância Ambiental, destaca como a higiene pode ser usada como ferramenta de prevenção.

Quando falamos nas fezes dos pombos, é necessário compreender que a contaminação pode ocorrer de forma direta ou indireta, ou seja, a ave pode defecar em algo que vamos entrar em contato. O ideal é realizar limpezas frequentes e, sempre lavar o local com secreções para que estas não sequem”, destacou.

Ainda, Teixeira aponta que os pombos não deve ser alimentados, mesmo que a longa distância ou em espaços abertos.

Quando oferecemos alimentos, eles voltam para buscar mais e podem até estabelecerem isso como um hábito, assim como acontece com os cachorros. No momento em que percebem que não existe comida em um determinado local, eles seguem para seu ambiente natural. Ou seja, o principal problema se dá pela alimentação, porque é o que faz com que se aproximem”, justificou o ambientalista, que também é biólogo.

Outros cuidados também devem ser adotados para manter distância dessas aves como, fazer o uso de luvas, máscaras ou pano úmido para cobrir o nariz e a boca ao limpar locais com fezes e lavá-los com água e desinfetante, retirar ninhos que existirem em casa, vedar buracos em paredes, telhados e forros, colocar telas em varandas, janelas e caixas de ar condicionado e não deixar cair migalhas de alimentos.