Saúde

Álcool em gel caseiro contra coronavírus pode ser perigoso

25 de março de 2020

Com a pandemia de COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus), muitas pessoas estão tomando medidas para se proteger de uma possível infecção. Entre as formas de prevenção mais recomendadas, está o uso do álcool em gel.
Por conta da grande procura, o produto começou a desaparecer nas prateleiras. Diante disso, uma receita caseira do álcool começou a circular nas redes sociais, prometendo proporcionar uma barreira eficaz contra o vírus de forma mais barata.
Porém, é preciso tomar muito cuidado com esse produto. Isso porque, segundo especialistas, ele não oferece a devida proteção contra o vírus, deixando as pessoas vulneráveis à COVID-19.
Uma das receitas divulgadas na web utiliza água, álcool liquido e gel de cabelo em sua composição. Porém, a combinação não possui as propriedades necessárias para combater o novo coronavírus, trazendo alto risco de infecção para quem utilizá-la.
O professor de Biomedicina da Universidade Santo Amaro (Unisa), Leonardo Sokolnik de Oliveira, explica que a função do álcool em gel é destruir o envelope do vírus, ou seja, uma camada de lipídios (gordura) que permite que o vírus infecte as células humanas. Sem o envelope, o vírus não consegue entrar nas nossas células.
Por não possuir essa capacidade, a receita caseira em questão faz com que as pessoas não se protejam de forma adequada, proporcionando uma falsa ideia de segurança que as impede de tomar outras medidas preventivas.
Além disso, é importante lembrar que o álcool líquido é extremamente inflamável, podendo causar queimaduras graves. A dermatologista Fabiana Seidl explica ainda que o uso excessivo do álcool acaba ressecando a pele e predispondo as mãos à fissuras e dermatites.
Leonardo Oliveira conta que uma possível alternativa para a falta de álcool em gel é a mistura de 380 ml de álcool líquido 92,8 graus com 120 ml de água filtrada. “Esta mistura tem a concentração de 70% e pode eliminar o vírus. O álcool líquido para limpeza não pode ser usado, pois apresenta uma quantidade de álcool muito baixa”, explica.
Especialistas na área de saúde explicam que o produto composto por 70% de álcool é o que possui capacidade para eliminar o vírus. Além disso, as receitas caseiras não passam por um controle de qualidade e liberação da ANVISA para serem utilizadas, logo não há comprovação de que são eficientes em combater vírus e bactérias.

Medo do coronavírus pode aumentar o estresse e diminuir imunidade no corpo

O novo coronavírus está se espalhando pelo planeta e fazendo com que autoridades de todo o mundo orientem a população sobre medidas de prevenção da doença. Embora especialistas já tenham ressaltado que não há motivos para pânico e cientistas vêm trabalhando na contenção da covid-19, o medo pode ser uma reação das pessoas no momento de crise e precisa ser trabalhado.
De acordo com a médica especialista em nutrologia e terapia cognitiva Mariela Silveira, diretora do Centro Contemporâneo de Saúde e Bem-Estar Kurotel, esse sentimento deprime o sistema imunológico por razões neuroendócrinas, ou seja, pelo desencadeamento da produção de hormônios voltados para a defesa do corpo. 
“Acabamos colocando mais adrenalina e cortisol [hormônio do estresse] em nossa corrente circulatória e isso diminui a resistência do organismo. Se essas substâncias são liberadas brevemente, sem problemas. Mas se mantemos o medo, mantemos o cortisol elevado, motivando problemas no corpo como a depressão do sistema imunológico. Isso nos deixa mais vulneráveis a pegar vírus e bactérias”, explica. “Controlar esses hormônios, no entanto, não são a fórmula de prevenção do coronavírus. É uma medida geral de saúde pública que, em momentos de crise, deve ser reforçada”, ressalta.
A afirmação de Mariela se encaixa na visão que alguns profissionais têm sobre a importância de agir positivamente diante da pandemia do coronavírus. Segundo a psicóloga Elaine Di Sarno, a covid-19 pode ser uma forma de o ser humano se colocar no lugar do outro e cultivar a empatia. “Neste momento difícil, precisamos demonstrar interesse genuíno nas preocupações, especialmente no que envolve os idosos e portadores de doenças que estão no grupo de risco do coronavírus”, diz ela. 
Vivian Wolff, especialista na prática de meditação mindfulness, concorda. “Devemos avaliar a qualidade dos pensamentos que escolhemos cultivar. Lidamos com o momento difícil cultivando pensamentos de medo que nos enfraquecem ou pensamentos que nos fortalecem? Pessoas resilientes fogem de reclamação e justificativas e se apoiam no gerenciamento das emoções e solução dos problemas”, acredita.