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Acidentes em mergulho podem ter consequências irreversíveis

29 de setembro de 2020

Nícollas Rabelo explica que as lesões deste tipo de acidente se devem pela compressão e instabilidade causada pela fratura. / Foto: Divulgação

A região do Lago de Furnas é um dos maiores atrativos turísticos de Minas Gerais e suas águas cristalinas são um espetáculo que encanta quem conhece estas belezas. As diversas cachoeiras são um chamariz para quem deseja se refrescar nos dias quentes, aproveitando o contato com a natureza. Porém, muitas vezes as pessoas ignoram os riscos envolvidos no mergulho em águas rasas, seja por desconhecimento da profundidade do local ou mesmo por condições que afetam o discernimento destes riscos.

Estatísticas apontam que são frequentes as ocorrências de acidentes deste tipo tendo como vítimas pessoas que consumiram grande quantidade de bebidas alcoólicas ou comida em excesso, situação que favorece também desmaios e afogamentos.

Geralmente as pessoas gostam de se lançar de locais mais altos, fazendo com que o corpo ganhe maior aceleração, aumentando o peso ao bater na água, como aprendemos nas lições de física. A pessoa acha que a água poderá amortecer o salto mas, se o local for raso, o corpo baterá no fundo da cachoeira, por exemplo, ou irá de encontro a algum obstáculo, como um galho ou uma pedra e é aí que a coluna é afetada, causando traumatismo raquimedular que pode ser temporário ou permanente”, detalha o neurocirurgião da Unimed Sudoeste de Minas, Nícollas Nunes Rabelo.

Ele explica que, neste tipo de acidente, é comum que pessoas que não estão preparadas para socorrer a vítima realizem algum tipo de manobra que pode agravar a lesão.

Neste tipo de situação, o melhor a fazer, sempre que possível, é entrar em contato com o Corpo de Bombeiros ou o Samu, que possuem equipes treinadas para fazer o resgate. Neste tipo de lesão, que também pode ser decorrente de traumas ocorridos no mar ou em piscinas, as principais alterações são motoras e sensitivas. A lesão se deve pela compressão e instabilidade causada pela fratura”, acrescenta. A vítima pode ficar paraplégica, ou seja, quando não consegue se mexer da cintura pélvica para baixo ou tetraplégica, que é quando não consegue se movimentar do pescoço para baixo.

Quando acontecem estas lesões, as primeiras medidas a serem tomadas pela equipe médica são a classificação da lesão e se ela é passível ou não de cirurgia.

“Se for um caso cirúrgico, é fundamental a descompressão medular e fixação para corrigir a deformidade e instabilidade. Quanto à lesão, a grande pergunta é se o paciente recuperará os movimentos ou não. Se a lesão é grave na entrada do hospital sob avaliação médica, dificilmente retorna. Estes pacientes precisam de muita reabilitação e cuidados de uma equipe multidisciplinar. Frequentemente, o paciente terá que lidar com as alterações motoras e sensitivas para o resto da vida, causando dificuldades em sua vida pessoal e profissional, além de um tratamento que, muitas vezes, é financeiramente inviável para ele ou sua família. Por isso, reforçamos o alerta de que as pessoas aproveitem para se divertir com cuidado. Além de evitar os excessos com relação à bebida alcoólica e alimentação, também gostaria de frisar que os pais e responsáveis precisam estar atentos a presença de crianças nestes ambientes, pois muitas vezes elas ainda não tem capacidade intelectual de avaliar o risco que este tipo de queda pode ocasionar”, finaliza o neurocirurgião.