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Abuso de álcool aumenta na pandemia

16 de fevereiro de 2021

O médico de família e comunidade da Unimed, Gabriel Wobeto, esclarece que não existe embasamento científico nas notícias falsas que relacionam o consumo de bebida alcoólica ao combate à covid-19. / Foto: Divulgação

Comportamento de risco pode ocasionar diversos prejuízos à saúde física e mental. A intensificação no abuso de álcool durante a pandemia pode trazer graves consequências para a saúde. Uma pesquisa publicada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) confirmou que o abuso de álcool aumentou desde o início da pandemia, em março do ano passado.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Como evitar os excessos?
  • Saiba como o abuso de álcool afeta seu organismo
  • Fígado
  • Coração
  • Pâncreas

De acordo com os dados desta pesquisa, 35% dos entrevistados relataram um comportamento chamado “beber pesado episódico (BPE)”, ou seja, quando se consome mais de 1,7 litro de cerveja ou 750 mililitros de vinho ou 225 mililitros de destilados.

Do total dos entrevistados que exageraram na dose, 52,8% relataram ter usado a bebida como válvula de escape para aliviar o estresse, ansiedade, nervosismo, a irritabilidade e a dificuldade de relaxar. O médico de família e comunidade, Gabriel Wobeto, profissional da Unimed Sudoeste de Minas, corrobora que o enfrentamento dessa nova realidade imposta pela pandemia trouxe grandes mudanças na rotina das pessoas, o que pode ser um dos motivos para o abuso das bebidas alcoólicas.

Essa alteração da rotina impacta diretamente na nossa saúde mental e sentimentos de ansiedade, medo, angústia acometem boa parte da população. Soma-se a isso às questões relacionadas ao distanciamento e isolamento social. Assim, é natural que as pessoas busquem formas de passar o tempo. O consumo de álcool ou drogas pode ser tornar uma forma de deixar os dias menos difíceis, pois as pessoas atribuem a essas substâncias sensações de relaxamento e bem-estar. Há outro ponto relacionado a notícias falsas de que o consumo de álcool pode prevenir a infecção por covid, o que não tem embasamento científico”.

Embora se acredite que existe uma quantidade segura para o consumo de álcool isso é um mito, como esclarece Gabriel Wobeto.

Não há uma quantidade segura para o consumo de álcool. É definido o consumo moderado quando se limita a quatro doses (duas garrafas de cerveja) por dia ou 14 doses por semana para homens e três doses por dia a sete por semana para mulheres e idosos. Mais do que isso o consumo é considerado acima do moderado, ou seja, abuso. Outros sinais podem ser avaliados de acordo com a percepção dos familiares ou pessoas mais íntimas, e às vezes, do próprio paciente”.

Considera-se que o efeito dessas substâncias é nocivo quando gera prejuízos a saúde física ou mental ou quando impacta no contexto social em que esse indivíduo vive.

Podemos citar a curto prazo os efeitos na atenção e memória, envolvimento em situações de violência de trânsito ou doméstica. A longo prazo a dependência, alterações físicas como hepatite, cirrose e alguns tipos de câncer relacionados ou fumo“, por exemplo.

Como evitar os excessos?

A ansiedade e angústia geradas pelo cenário instável que a Covid-19 instaurou e todas suas consequências, como desemprego, sensação de impotência, medo de adoecer, entre outros sentimentos, favorecem comportamentos que induzem ao excesso de bebida alcoólica. Ao perceber que estes sentimentos estão tomando grandes proporções e ocasionando agressividade, pânico ou hipocondria é importante procurar ajuda médica que encaminhará, quando necessário, para acompanhamento psicológico.

Em situações em que a pessoa está se sentindo ansiosa e deprimida evitar usar álcool. Se não conseguir, tentar manter o uso moderado. Evitar comprar e manter estoque de bebida alcoólica em casa, para não ter oportunidade de beber. Não misturar bebida com outros medicamentos, sobretudo os de tratamento de condições psiquiátricas, como ansiolíticos e antidepressivos”, finaliza o médico.


Saiba como o abuso de álcool afeta seu organismo

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) ,mais de 5% das doenças e lesões tem relação com o abuso de álcool. A ingestão excessiva de álcool compromete a fala, a coordenação motora, leva à perda dos reflexos e confusão mental e pode, inclusive, levar ao coma.


Fígado

Como órgão que metaboliza o álcool no organismo, é comum que o fígado seja uma das partes do corpo mais afetadas por estes excessos. Doenças hepáticas como hepatite, cirrose e esteatose hepática (excesso de gordura no fígado) podem ter relação com o abuso de álcool.


Coração

Usuários de álcool podem ser vítimas de cardiomiopatia, uma doença do músculo cardíaco. Também estão mais sujeitos a ter hipertensão, arritimias e aumento do colesterol.


Pâncreas

A pancreatite crônica em adultos é causada, principalmente, pelo abuso de álcool. Trata-se de uma inflamação do órgão, que causa dor progressiva e condições graves para o paciente.