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Com maior média móvel no Sul de Minas, Passos chega a 1.324 casos em 3 dias

14 de janeiro de 2022

Foto: Divulgação.

PASSOS – A índice de crescimento na média móvel de casos de covid-19 subiu de 894% para 6.800% entre os dias 3 e 10 deste mês na Superintendência Regional de Saúde de Passos, aponta estudo coordenado pelo professor de epidemiologia e pesquisador responsável pelo indicativo de covid da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Sinézio Inácio da Silva.

Ontem, segundo boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Passos, o município registrou 424 novos casos e atingiu o terceiro dia consecutivo com aumento acima de 400 ocorrências. Nos últimos três dias, foram 1.324 casos.

Desde 3 de janeiro, já são 2.937 casos confirmados de infecção pelo coronavírus na cidade, quase mil a mais que o os registros do mês de maio do ano passado, período que detinha o então recorde no número de casos confirmados no município.

Na última quarta-feira, a prefeitura divulgou dois óbitos em decorrência da covid. Segundo informações da assessoria de imprensa, as vítimas foram um homem e uma mulher com idade de 59 e 86 anos. O número de óbitos chegou a 324 desde o início da pandemia.

Ontem, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Passos estava em situação de tumulto e aglomeração devido ao número de pessoas em busca de atendimento. No final da tarde, o diretor técnico da unidade, Flávio Ferreira confirmou que pediu exoneração do cargo.

Nesta semana, a Secretaria de Saúde convocou médicos, enfermeiros e técnicos que estavam em férias para voltarem ao trabalho devido à situação nas unidades de saúde com a explosão de casos de covid-19 e a prefeitura reduziu o horário de atendimento em prédios públicos devido ao afastamento de servidores. Outros órgãos públicos também enfrentam problemas com afastamento de funcionários devido à covid.

Conforme o estudo da Unifal, a região de Passos registrou um aumento de 15,9 para 146 na média diária de casos de covid-19 no período e de 267% para 720% na média semanal de Passos foi de cerca de 267% para 720% neste período. O estudo da universidade é feito com base em números divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que apresentam defasagem em relação aos boletins epidemiológicos divulgados pelas prefeituras.

De acordo com os indicadores da SES, entre as médias móveis das dez cidades mais populosas do sul de Minas, Passos está em segundo lugar, atrás de Lavras, com uma média de 205,4 nos casos diários da semana. São Sebastião do Paraíso também aparece no quadro, na 10º posição no ranking, com uma média de 31,7 casos diários de covid na semana.

“A região de Passos, assim como as outras três que compõem o sul de Minas, apresentam, atualmente, pelo critério da média móvel, tendência de crescimento de casos e internações. Felizmente, no entanto, há tendência de queda em óbitos. Isso sempre esteve associado à interação territorial, econômica e social com o estado de São Paulo, e pela exposição dessas regiões, especialmente a Sul, aos importantes eixos rodoviários que fazem ligação com SP, RJ e Belo Horizonte. O Sul de Minas também apresenta grande densidade de municípios, municípios muito próximos que interagem diariamente em fluxos comerciais e sociais”, disse o professor Sinézio.

Segundo ele, o Brasil e, particularmente, no sul de Minas Gerais, tiveram uma reescalada de casos de covid por volta de 28 de dezembro e devem se preparar para um pico de casos da variante ômicron até final de janeiro ou até em três meses, dependendo do cenário.

“A ômicron tem provocada duas visões, uma otimista e outra pessimista. As duas são razoáveis e possíveis. A otimista é que o aumento exponencial do contágio somado à vacinação ajudaria a chegarmos a uma imunidade coletiva e a epidemia viraria uma endemia, com poucos casos sempre presentes, como normalmente a gripe e resfriado. A pessimista é que por causa de tanto contágio, novas variantes podem surgir e mais perigosas”, disse.