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Câmara de Paraíso aprova moção de repúdio a Romeu Zema

31 de março de 2021

A comerciante Josiane Santiago ocupou a tribuna livre da Câmara. / Foto: Divulgação

S. S. PARAÍSO – O fechamento do comércio devido à onda roxa em Minas Gerais para conter a disseminação da Covid-19, tem sido tema frequente na Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso. Nesta semana, a comerciante Josiane Santiago representou a categoria na Tribuna Livre e defendeu o direito ao trabalho. Foi lida uma carta dos vereadores em apoio aos comerciantes, bem como foi aprovado o envio de moção de repúdio ao governador Romeu Zema.

O presidente Lisandro Monteiro fez a leitura da carta aos comerciantes, assinada pelos vereadores no mesmo dia em que a prefeitura decretou a onda roxa no município, por decisão judicial. (A íntegra da carta está na seção “Do Leitor”, à página 2. Ela foi encaminhada ao prefeito Marcelo Morais e será enviada também ao Poder Judiciário. Em Plenário, vereadores afirmaram que a prefeitura recorreu da decisão judicial e que aguardam um retorno positivo nesta semana.

Josiane afirmou que os comerciantes estão sendo privados dos seus direitos de trabalho, livre iniciativa e dignidade humana, previstos na Constituição Federal.

A Constituição se sobrepõe a qualquer lei ou decreto. Dessa forma, fica provado que qualquer decreto que tente sobrepor ou restringir os direitos constitucionais é totalmente nulo, inválido e inconstitucional”, argumentou.

Ela defendeu ainda que o atual modelo de lockdown é injusto e prejudica os pequenos comerciantes, que não são considerados atividades essenciais.

Não vamos deixar nossas lojas falirem, a fome e a miséria se instalarem em nossas vidas por meros caprichos políticos ou pactos formados por governadores que estão usando a pandemia para outros fins, que com certeza não têm nada a ver com a saúde pública. Se o governo considera que estamos em estado de calamidade, que feche tudo. Ou é todo mundo ou não é ninguém, somos todos iguais perante a lei”, manifestou-se.


Vereadores

Os vereadores concordaram com os pontos levantados pela comerciante e disseram ser incoerente a maneira como foram categorizadas as atividades essenciais e não essenciais. Pedro Delfante considerou o lockdown uma atitude arbitrária que não condiz com a situação do município diante da pandemia. Maria Aparecida Cerize disse que apoia o retorno às atividades e que os casos de doentes não são devido à abertura do comércio, mas são devido a “pessoas que ainda insistem em aglomerar, em negligenciar que a doença existe”.

Juliano Reis também se posicionou: “infelizmente, estamos numa situação em que a única coisa que vai extirpar o vírus é a vacina. Essas medidas insanas não vão resolver, só vão causar impacto econômico nos pequenos comerciantes”. O vereador Vinicio Scarano considerou como irresponsáveis os membros do comitê estadual de enfrentamento à Covid-19.

Tem loja de roupa que entra duas pessoas por dia. Eu fui no mercado, sábado no final do dia, e estava lotado. É uma deliberação ruim. O lockdown resolveu quando fechou o país inteiro por um período. Está todo mundo politizando a pandemia. O comércio não pode pagar por essa decisão autoritária”.

O argumento de que a pandemia está sendo politizada reverberou entre outros vereadores, como Lisandro Monteiro. Lisandro criticou ainda os dados de óbitos de Covid-19, dizendo que mortes estavam sendo erroneamente atribuídas à doença. José Luiz das Graças defendeu que, assim como saúde, o dinheiro também é essencial para a sobrevivência.

Quantos milhões de pessoas vão ficar sem emprego, sem sua empresa? Isso vai trazer inclusive problemas psicológicos. Qual a diferença da presença das pessoas em um supermercado ou em outro tipo de comércio”, disse.

Luiz de Paula defendeu a necessidade de se analisar individualmente a situação de cada município, em vez de todo o estado aderir à onda roxa. Sérgio Gomes ressaltou que o país não deve estar da forma que está, e que a situação está vindo “de cima para baixo”, dos governos federal e estadual.

Do jeito que está, não dá para ficar. Precisamos de uma solução imediata, mas não temos lideranças capazes de solucionar o problema”.

Antonio Picirilo manifestou seu apoio aos comerciantes e reiterou a sensação de incoerência entre a divisão de atividades essenciais e não essenciais.