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Violência doméstica se mantém estável durante o isolamento

18 de abril de 2020

Foto: Reprodução.

PASSOS – Na contramão do que vem ocorrendo em nível nacional, o número de ocorrências de violência doméstica em Passos continua estável, mesmo nesses tempos de pandemia causada pelo coronavírus. Na Delegacia Especializada ao Atendimento à Mulher (Deam), os atendimentos realizados pela delegada Mariana Fioravante Romualdo sofreram pouquíssimas alterações.
“Nos meses de novembro, quando iniciei meus trabalhos aqui na delegacia de Passos, e dezembro, o movimento foi normal. Em janeiro e fevereiro já ficou abaixo da rotina mensal, e em março já voltou à normalidade. Não credito, em partes, essa baixa oscilação no mês passado ao confinamento social, quando marido e mulher passam dias juntos no mesmo ambiente. Faz parte do cotidiano da cidade”, avaliou a delegada.

Alguns números divulgados pela Polícia Militar de Passos mostram que em março de 2019 foram 60 registros envolvendo casos entre homem e mulher, dez a mais que o mesmo mês deste ano. Em fevereiro de 2020 foram 59 atendimentos da Deam.

De acordo com Mariana, a ocorrência de violência doméstica atinge todas as classes sociais. As mais comuns são ameaças, lesões corporais e agressões. As principais causas são ciúmes e o o fato de homens quererem controlar as atitudes da mulher. “É o desacordo de uma separação amorosa, amizades com amigos e vizinhos, desentendimentos na vida conjugal etc”, acrescentou. Em Passos houve apenas um registro de feminicídio neste ano.

 

No Brasil

A expressão violência doméstica normalmente é empregada como sinônimo de violência familiar ou de gênero, podendo ser sofrida tanto por homens quanto por mulheres. Entretanto, a desigualdade entre gêneros, o sexismo e o machismo estrutural, fruto da sociedade patriarcal em que vivemos, fazem com que a violência doméstica seja sofrida majoritariamente por mulheres. Os exemplos de violência contra a mulher no Brasil são inúmeros, a taxa de feminicídio no país é a quinta maior do mundo, com uma média de 4,8 assassinatos para cada 100 mil mulheres.

No dia 29 de março a Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres havia anunciado um aumento de 17% no número de denúncias de violência doméstica, registradas na Central de Atendimento à Mulher, fazendo um comparativo do início com o fim do mês de março, período esse marcado pelas determinações de afastamento social em diversos estados e municípios. Segundo a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, ocorreu um aumento de 50% nos casos de violência doméstica no estado, já nos primeiros dias de isolamento social, por conta da pandemia de covid-19.