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Sem identificação, corpo de desaparecido permanece insepulto

13 de abril de 2020

PASSOS – A família de um homem de 52 anos, que ficou desaparecido por uma semana, vive um drama que não tem previsão para chegar ao fim. Apesar do corpo ter sido encontrado, sem vida, seis dias após o desaparecimento, até hoje os familiares, que residem no bairro Santa Luzia, em Passos, não puderam realizar o sepultamento.

A história começou no dia 25 de março, quando Eli José Rodrigues teria sido visto pela última vez. Uma semana depois, o corpo foi visto às margens do ribeirão São Francisco, pouco antes do encontro das águas com o Ribeirão Bocaina, nas proximidades do Frigorífico Municipal. Dois dos oito irmãos estiveram no local e o reconheceram, apesar do elevado estado de decomposição que se encontrava o cadáver. Porém, ficou o rastro de dúvidas em relação à identidade do falecido.

“Duas irmãs dele disseram que tudo indicava que era o Eli mesmo, porém o corpo estava bastante inchado e, apesar dele ser da cor branca, a pele ficou muito escura, quase preta, e principalmente o rosto totalmente desfigurado.

Então elas não tinham como dizer com certeza se era o Eli”, afirmou a ex-esposa, Maria José Horário Rodrigues.
Levado para o Posto de Perícias Integradas (PPI) de Passos, o cadáver seria submetido ao reconhecimento da identidade através das digitais, mas em razão da pele das mãos estar demasiadamente decomposta não foi possível realizar o exame. Só restava aos familiares confirmarem se era mesmo o corpo de Eli ou a identificação usando a técnica do Ácido Desoxirribonucleico (DNA) realizado gratuitamente pelo Estado, nesse caso, apenas no Instituto Médico Legal de Belo Horizonte (MG).

O delegado do setor de crimes contra a vida e tóxicos da 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Passos, Danilo Gustavo Silva Costa, afirmou, ontem, que, geralmente, o resultado de DNA demora meses e a situação está mais complicada em razão da pandemia do coronavírus. “A família terá uma certeza quanto a identidade do Eli um pouco mais rápida se enviar o material para exame em uma clínica particular”, disse.

 

Cicatriz pode ajudar no reconhecimento

 

PASSOS – Um dos três irmãos do falecido, Hélio dos Reis Rodrigues, que reside em Franca (SP) esteve no PPI dia 1º de abril, onde foi realizado o exame de necropsia, e também ficou na dúvida se era mesmo o corpo de Eli. “Só deu para ver, não muito clara, a cicatriz da cirurgia que ele fora submetido há muitos anos em razão de problema na coluna lombar. Também a estatura batia mais ou menos com a do meu irmão, mas como não teve jeito de fazer os exames das digitais e restavam dúvidas quanto à identidade, o médico legista não quis assinar o atestado de óbito. Eu também não assinei porque poderia cometer um erro diante das incertezas. Nesta semana vou a Passos para conversar com meus familiares, com o doutor Danilo e tentarmos a liberação do corpo para ser sepultado”, comentou.

Já o delegado Danilo esclareceu o impasse. “Não é que o médico se recusou a assinar o documento. O problema é que os familiares não tinham absoluta certeza se o corpo era mesmo o de Eli. Então, só resta o exame de DNA. Agora, em razão do estado avançado de decomposição do cadáver, que ainda continua preservado na geladeira do PPI, só vamos ter uma certeza mesmo se ele sofreu, ainda vivo, algum tipo de violência ou foi morte natural, só durante as futuras investigações. Estamos apurando, também, o possível e possíveis autores do crime”, completou.

Morador na rua Guatemala, no bairro Jardim Polivalente, o falecido era pedreiro, mas há alguns anos estava recebendo o auxílio doença em razão de um problema grave na coluna. Além da ex-esposa, de quem era separado, ele deixou as filhas Priscila, Paula e Letícia, todas maiores de idade, oito irmãos, quatro mulheres, quatro homens e a mãe. “Só Deus sabe o que estamos passando nesses dias todos. Não tive a coragem nem de ver o corpo dele lá o PPI. Só quero, com muita tristeza, sepultar meu filho o mais rápido possível”, clamou Maria Delfina Pinto Rodrigues, de 76 anos, viúva há pouco mais de cinco anos.