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Polícia Civil pede suspensão de atividades em clínica após agressões a paciente em Passos

19 de junho de 2021

Segundo o delegado, a proprietária da clínica e o funcionário assumiram a agressão :/ Reprodução

PASSOS – A Polícia Civil pediu que a Justiça suspenda as atividades da clínica de dependentes químicos onde imagens de agressões e tortura contra um paciente foram gravadas, em Passos. O fato aconteceu há oito meses, mas as imagens só foram divulgadas recentemente.

O delegado regional Marcos Pimenta ouviu o suspeito de ter praticado a agressão na última quarta-feira, 16 e também um ex-paciente que teria sido vítima de agressões.

“Hoje mesmo dando sequência nas investigações, nós ouvimos um outro paciente que nos procurou e também relatou ter sido vítima de agressões psicológicas, de maus-tratos no interior dessa clínica”, disse Pimenta.

“As investigações iniciaram em abril e eram relativas às agressões sofridas em outubro. Recentemente nós tivemos acesso às imagens, são imagens chocantes, imagens de tortura, agressões de todo o porte, que ilustram evidente caso de tortura realizada dentro dessa clínica. Diante dessa situação, a Polícia Civil já pleiteou algumas medidas cautelares para o Poder Judiciário, o inquérito se encontra no Poder Judiciário com vistas ao Ministério Público, titular da ação penal”, disse o delgado.

Ainda conforme o delegado, em depoimento, a proprietária da clínica e o funcionário que aparece agredindo o paciente teriam assumido as agressões.

“A gente já tem confissões nos autos da própria proprietária, ainda que indiretamente confessa a sua participação, do indivíduo que estava com a camisa da Seleção Brasileira, da pessoa que filmou, que inclusive trabalha no Centro Socioeducativo, nós já pleiteamos a suspensão das atividades da clínica e também do indivíduo que trabalha no Centro Socioeducativo”, disse o delegado.

As agressões teriam ocorrido em outubro do ano passado na clínica, mas ganharam força depois que imagens vieram à tona. Os vídeos mostram um paciente da clínica sendo agredido, enforcado com um mata-leão e recebendo golpes na cabeça. Em outro momento da imagem, ele chega a ser sufocado com um saco plástico.

Segundo Pimenta, a expectativa é que o inquérito sobre o caso possa ser concluído de 10 a 15 dias.

As agressões teriam acontecido em outubro do ano passado. As investigações começaram há cerca de três meses, mas os vídeos que mostram as agressões só vieram à tona agora. As imagens foram gravadas por outro funcionário da clínica.

A vítima teve que ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento por causa das lesões, segundo o boletim de ocorrência registrado sobre o caso.

O paciente disse à polícia que era ameaçado por funcionários e que as agressões são práticas comuns na clínica, com torturas físicas e psicológicas. O boletim cita ainda choques elétricos contra os internos da clínica.

Clínica

A Clínica Doze Pilares divulgou uma nota onde informa que repudia a prática de qualquer ato de violência e que os dois funcionários foram demitidos. Na nota, assinada pela sócia da empresa, Gleida Dias Souza, ela diz que a clínica está à disposição para cooperar nos trabalhos de investigação.

Conforme Gleida Dias, ela não prestou depoimentos à Polícia Civil e está aguardando seu advogado para o procedimento. E salientou que até o momento não foi intimada ou notificada sobre a suspensão. “Nossa clínica está em pleno funcionamento e temos certeza de que estas informações caluniosas serão sanadas com a investigação”, salientou.