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Piumhi pode ter sido vítima de golpe na compra de insumos

Por Laura Oliveira Hostalácio Folha com Onda Oeste FM

30 de outubro de 2020

As empresas investigadas, no entanto, não são da área de insumos médicos. / Foto: Divulgação

PIUMHI – Uma organização criminosa tem sido investigada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por suspeita de aplicar golpes em prefeituras do interior e promover fraudes em processos licitatórios para compra de equipamentos e insumos de combate ao coronavírus. De acordo com Gabriel Ciriaco Fonseca, titular da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, o inquérito nasceu em junho, após a prefeitura de Piumhi dispensar a licitação para adquirir equipamentos de proteção individual (EPI’s) – a empresa contratada tinha sede em João Monlevade, a quase 500 quilômetros de distância.

Ao longo da investigação, foi apurado que Piumhi e outros 20 municípios da Zona da Mata Mineira – abrangidos pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Microrregião do Vale do Piranga (CISAMPI) – foram vítimas de fraude.
No curso das investigações, foi constatado que um homem constituía diversas empresas com nomes de terceiros em troca de benefícios.

A Polícia Civil investigou que as empresas cadastradas, no entanto, não são da área de insumos médicos. Todas eram do ramo automotivo. Na última semana, onze mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de João Monlevade, São Gonçalo do Rio Abaixo e Itabira, onde ficam os empreendimentos. Grande parte dos investigados já foi ouvida pela equipe da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção.

Para o delegado, devido à pandemia, houve uma grande procura por insumos, e golpistas aproveitaram a situação para ludibriar os municípios. Segundo ele, em uma das cidades foi entregue somente metade dos produtos e com baixa qualidade.

O esquema criminoso teria causado um prejuízo inicial estimado em R$ 220 mil aos cofres públicos, podendo chegar a R$ 500 mil. O atual prefeito de Piumhi, Adeberto de Melo, o Deco, ressalta, no entanto, que o município não teve prejuízo, pois só pagou pelos equipamentos que recebeu.

Estão sendo investigados, no caso, os crimes de fraude a licitação, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A polícia chegou a solicitar o confinamento do homem suspeito de chefiar o esquema e de outras pessoas envolvidas, mas a Justiça não concedeu aval para as detenções.

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