Destaques Polícia

PF apreende 4.350 maços contrabandeados em 2020

24 de agosto de 2020

Foto: Site EBC

DIVINÓPOLIS – A Delegacia Regional da Polícia Federal de Divinópolis divulgou na última sexta-feira, 21, que, desde o início do ano, foram apreendidos 4.350 maços de cigarro em sua circunscrição, que abrange a região de Passos. Já em 2019, ao longo dos 12 meses, houve o confisco de 836.620 maços (83.662 pacotes). No entanto, o órgão ressalta que o resultado de 2020 pode ser superior ao informado, uma vez que diversas apreensões ainda estão pendentes no balanço parcial.

Em entrevista à Folha, Renato Madsen, delegado regional da Polícia Federal em Minas Gerais, lembra que a Receita Federal (RF) atua nas fronteiras do país para evitar esse tipo de crime.

Contrabando é a prática da importação ou exportação clandestina de mercadorias e bens de consumo que dependem de registro. A fiscalização é realizada pela Receita Federal, enquanto isso, nós atuamos em investigações, ou quando percebe-se que alguém na RF fugiu a este controle”, explicou.

Com origem majoritária do Paraguai, Madsen diz que as apreensões dos maços são extremamente recorrentes:

Passa a ser algo habitual. Por sua baixa qualidade, estes cigarros são muito baratos e despertam o interesse de diversos fumantes que, muitas vezes, não querem pagar mais caro por um produto que segue os padrões de qualidade nacionais”.

O delegado reforça a importância da compra de itens legalizados.

Com os maços contrabandeados, os impostos não são recolhidos, o que acaba afetando a saúde financeira do país, porém o mais importante nesta questão é a saúde do próprio fumante. Sem fábricas homologadas, os riscos do cigarro ilegal são muito maiores, às vezes a pessoa acaba economizando no maço, mas, por falta dos filtros necessários, posteriormente, gastando mais em medicamentos”, disse.

Já em relação às atividades de organizações criminosas, Madsen ressalta que a penalidade para a ação é de dois a cinco anos de detenção. As denúncias relacionadas a casos na região podem ser feitas pelo e-mail da Polícia Federal, [email protected], ou pelo telefone (37) 3216-9400.

 

Total apreendido representa 435 pacotes de maços de cigarro. / Foto: Divulgação

Documentário mostra ciclo criminoso do contrabando

SÃO PAULO – Cigarro contrabandeado é coisa séria. Envolve redes de crime organizado de diferentes países, corrupção, bandidos, violência e bilhões de reais. Mas a minimização deste crime – o último passo desse ciclo criminoso – é o que garante a sua escalada pelos estados do Brasil. Quando se olha para o cigarro paraguaio na banquinha do camelô ou no balcão da lanchonete ninguém imagina o rastro de ilegalidade e sangue que ele deixou para chegar até ali.

Primeiro, o produto saiu das fábricas dos barões paraguaios, que pagam impostos muito menores que as indústrias brasileiras – 18% contra 71% – para produzir seus cigarros. Depois, caiu nas mãos de atravessadores, que pagam preços irrisórios para contrabandeá-los para o Brasil. Por isso, o cigarro paraguaio custa tão menos que o brasileiro por aqui. O caminho da mercadoria ilegal desde a travessia da fronteira em barcos, passando por estradas semi desertas com carros em alta velocidade, até chegar nas banquinhas dos camelôs e nas lanchonetes e outros pontos de vendas é envolto em violência e mortes. Grande parte dessas ações é patrocinada pelo crime organizado e ajuda a alimentar a compra de armas e o tráfico de drogas, afetando a segurança de toda a sociedade.

O ciclo do cigarro do crime é composto basicamente de 12 passos, que foram reunidos em um infográfico produzido pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), associação brasileira com foco exclusivo no combate ao mercado ilegal. Para Edson Vismona, presidente do FNCP, mesmo com toda a criminalidade que envolve o contrabando de cigarros, a sociedade minimiza a atividade ilegal. “A aceitação do consumidor pelo produto ilegal estimula a oferta criminosa. Essa é a incoerência ética que precisa acabar”.

Para entender mais sobre como funciona esse ciclo do contrabando de cigarros do Paraguai para o Brasil, assista o documentário, “Cigarro do Crime”, produzido pela Vice com apoio do FNCP, e que está no:

https://clicfolha.com.br/folhaplay/documentario-mostra-o-ciclo-criminoso-do-contrabando/