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Júri popular condena quatro e absolve um por crimes do PCC

23 de outubro de 2020

A vítima José Luiz Cardoso, 33 anos, o “K.L.”, foi encontrado morto em uma plantação de soja próximo ao loteamento Nova Passos. / Foto: Arquivo FM

PASSOS – Quase três anos depois dos crimes que levaram à morte duas pessoas em Passos, cinco acusados foram a júri popular nesta quarta-feira, 21 e receberam condenações com penas que variam entre 4 e 17 anos. Esta foi a primeira audiência realizada na Comarca de Passos com uso de conferência online com um dos julgados em outro Estado. A audiência teve início pela manhã foi até as 24h02, resultando em 12 páginas de sentença, proferida pelo juiz Ademir Bernardes de Araújo Filho.

O Ministério Público havia oferecido denúncia em 3 de março de 2018, sendo que na mesma decisão foram decretadas as prisões de Bruno Costa Souza, Bruno César Zautra, Robson Carvalho dos Santos, Adriano Aparecido da Silva. Uma mulher envolvida, Tatiane Oliveira Germano foi condenada, mas havia ficado em liberdade.

Os quatro homens teriam matado José Luiz Cardoso, 33 anos, o “K.L.” A Polícia Civil teria apurado, à época, que os acusados faziam parte da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e que eles participaram do ‘desembolo’ – o julgamento em que a organização criminosa sentenciou a vítima à morte. Também foi morto Wanderley Vieira de Jesus, conhecido como Lobisomem.

Durante o júri, Bruno Costa Souza foi absolvido pelos jurados e o juiz fez o pedido para expedição do alvará de soltura. Já, Bruno César Zautra foi condenado por homicídio triplamente qualificado com pena de 17 anos, 3 meses e 10 dias, e, por já estar cumprindo prisão cautelar há 2 anos, 9 meses e 6 dias, passa a cumprir o regime sem poder recorrer em liberdade. Pelo fato de ser cadeirante e usar sondas e, estar em período de pandemia, o condenado vai cumprir em regime domiciliar.

Robson Carvalho dos Santos foi condenado também por homicídio triplamente qualificado com a pena de 17 anos, 2 meses e 10 dias de reclusão em regime fechado. O condenado não tem direito de recorrer à liberdade. Adriano Aparecido da Silva foi condenado a 12 anos e 4 meses e 10 dias de reclusão. O acusado permanece preso há 2 anos, 8 meses e 20 dias, tendo que cumprir a partir de agora 9 anos, 7 meses e 20 dias em regime fechado, não podendo recorrer em liberdade.

E, Tatiane Oliveira Germano, foi condenada a 4 anos, 3 meses e 10 dias de reclusão em regime semiaberto. A acusada respondeu ao processo em liberdade, não havendo elementos que indiquem a necessidade de custódia cautelar neste momento, razão pela qual possui direito de recorrer em liberdade.


Os crimes

No dia 21 de dezembro de 2017, a vítima José Luiz Cardoso, 33 anos, o “K.L.”, foi encontrado morto em uma plantação de soja próximo ao loteamento Nova Passos. Ele foi encontrado depois de testemunhas terem ouvido o barulho de vários disparos e visto um grupo de pessoas fugindo do local.

A vítima foi morta com vários tiros pelo corpo, incluindo um a queima-roupa na cabeça, e sofreu um corte profundo na garganta, de um lado a outro do pescoço. A suspeita é que os autores tentaram decapitá-lo e acabaram não conseguindo.

Já no dia 8 de janeiro, Wanderley Vieira de Jesus, que tinha chegado há poucos dias na cidade, foi morto com cinco tiros. Seu corpo foi encontrado em um milharal entre o final da rua Imaculada Conceição e o Distrito Industrial II, na zona rural de Passos. Ele estava com os braços amarrados.

Conforme a polícia, próximo ao corpo foi encontrada uma pá e uma cova rasa, que a própria vítima, junto com uma terceira pessoa, que conseguiu escapar, teriam sido obrigadas a cavar. Os dois teriam sido apanhados no bairro Cohab II e levados à força para o local. Na época, esta segunda vítima ainda não foi localizada pela polícia, depois que conseguiu fugir.

Após os crimes, a Polícia Civil fez uma operação que denominou ‘Tribunal Paralelo’, na qual nove pessoas foram presas por homicídios. Conforme o delegado Marcos Pimenta, as vítimas teriam sido assassinadas por conta de uma provável rixa entre duas facções criminosas do Rio de Janeiro e São Paulo, que teriam ramificações aqui na região. Eles teriam sido “julgados, sentenciados à morte e executados” pelos próprios autores, por isso a operação foi denominada de ‘Tribunal Paralelo’.

Ao que tudo indica, a vítima José Luiz Cardoso, o “K.L.”, foi morto porque estava se autoproclamando um integrante da facção paulista, vindo a tirar vantagens dessa situação. Daí os verdadeiros integrantes dessa facção o executaram. Já o Lobisomem, que era da cidade de Osasco (SP), teria vindo a Passos junto com um outro rapaz para vingar a morte de K.L., só que ele também acabou sendo pego pela gangue e acabou morto”, explicou o responsável pela investigação.