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Júri condena assassino de pastora a 22 anos

25 de setembro de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – A família e amigos da pastora Elaine Aparecida Barros estiveram durante todo o dia, das 8h às 18h30, desta quinta-feira, 24, na porta do Fórum da Comarca de Passos, aguardando o resultado do júri popular que condenou a 22 anos de reclusão e 6 meses de detenção o acusado Gilberto Adriano de Oliveira. Por mais de 10 horas os jurados, promotores, juízes, testemunhas e familiares reviveram o crime que chocou os moradores de Passos no dia 24 de fevereiro de 2017, quando a vítima foi morta por asfixia com um arame farpado e deixada num canavial. O réu estava preso desde o dia 2 de março de 2017 em prisão preventiva.

Para a família a sentença proferida pelo juiz Mateus Queiroz Oliveira foi pequena perante a dor de perder a mãe, a irmã, a filha, a cunhada, e a amiga.

No momento do desaparecimento já foi triste, mas ao encontrá-la morta e, pela forma, foi algo terrível. Funeral com caixão lacrado. E, agora, durante o júri, em que revezamos a entrada – por conta da pandemia -, saber a forma como ela foi morta, como ele fez para matá-la, tem sido muito dolorido. Já nem tenho mais lágrimas para chorar. Aqui soubemos a real história. Mesmo ele não tendo confessado, foi tudo baseado nos autos da perícia. Tínhamos, durante estes mais de três anos, uma dúvida sobre o motivo pelo qual ele teria matado minha mãe, e aqui nós descobrimos. Ele fez por causa do relacionamento extra-conjugal que ele tinha, que a amante estava grávida, para não sair como ruim na igreja na qual ele era pastor, então fez isso”, disse a filha Karen Cristina Barros de Oliveira, uma das duas filhas de Elaine, em relação ao padrasto.

Após a leitura da sentença, Karen chorou muito, gritou palavras como ‘assassino’, ‘está satisfeito com o que fez com minha mãe?’, porém, ainda assim achou que os 22 anos foram poucos frente à perda de Elaine.

Minha mãe era muito querida. Ela não tinha vínculo de filhos com ele, então, ele poderia ter terminado o relacionamento e seguido a vida dele com a amante grávida, amiga da minha mãe, de dentro da igreja, mas ele optou pelo pior caminho, mais doloroso pra gente. Ele está vivo, um dia vai sair da cadeia. Está com roupa bonita, nem com a roupa do presídio. Pra mim, 50 anos seria pouco. Mas sei que as leis brasileiras são flexíveis, mas, por ser feminicídio, pela forma como foi, esperamos que tudo isso seja agravante”, afirmou pouco antes da sentença, a filha que usava uma camiseta com a foto da mãe, assim como outras mais de 20 pessoas também usavam.

De acordo com o juiz Mateus Queiroz, o réu deverá cumprir a pena inicialmente em regime fechado. O acusado foi condenado por três crimes: feminicídio, fraude processual e ocultação de cadáver.

Fica definitivamente o acusado condenado a 22 anos de pena de reclusão, 6 meses de detenção e 30 dias multa. O réu deverá cumprir a pena inicialmente em regime fechado. Cumpre salientar que o tempo de prisão provisória deverá ser detraído na sentença condenatória para fixação do regime inicial do cumprimento de pena. Todavia, estando o acusado preso cautelarmente desde o dia 2 de março de 2017, verifica-se que, até a presente data não decorreu lapso suficiente para progressão do regime. Não preenchidos os requisitos dos artigos 44 inciso 1 e 77, ambos do Código Penal, não possui o réu direito à substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direito e a suspensão condicional da pena. O réu esteve preso cautelarmente durante todo o curso do processo. Neste momento, entendo presentes os requisitos autorizadores da manutenção de sua prisão preventiva, especialmente para a garantia da ordem pública diante da gravidade m concreto nos delitos pelos quais acaba de ser condenado, bem como pelo ‘modus operandi’ (maneira usada) empregado, que gerou enormes sofrimentos à vítima”, sentenciou.

O caso

A pastora, Elaine Aparecida Barros, de 50 anos na data do homicídio, havia desaparecido no final de semana e três dias depois foi encontrada morta em um canavial localizado às margens da rodovia que liga Passos a São João Batista do Glória. De acordo com a perícia feita pela Polícia Civil à época, o corpo foi encontrado
sem as roupas íntimas, com um arame enrolado ao pescoço e coberto por um lençol.

A polícia trabalhou desde o início das investigações com a possibilidade de que o marido da vítima, o também líder evangélico Gilberto Adriano de Oliveira, que tinha 41 anos na época. Ele disse à polícia em 2017 que deixou sua esposa próximo ao Ambulatório São Lucas para fazer uma consulta e que voltou em casa para buscar alguns documentos que havia esquecido.

Que ao retornar cerca de meia hora depois não mais a encontrou. Foi ele também quem reconheceu o corpo da mulher, depois que populares o localizaram no meio do canavial e acionaram a Polícia Militar.
A vítima estava caída à beira de um carreador, distante cerca de 150 metros da rodovia, já em avançado estado de putrefação, com possíveis sinais de um suposto crime sexual.

O acusado foi condenado por três crimes: feminicídio, fraude processual e ocultação de cadáver. / Foto: Divulgação