Destaques Polícia

Homem que esquartejou a mãe é indiciado

14 de setembro de 2020

Foto: Site EBC

BELO HORIZONTE – Com a conclusão do inquérito policial, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou por homicídio qualificado e ocultação de cadáver o homem, de 30 anos, que matou a própria mãe, de 52, em Santa Luzia, Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O crime ocorreu na noite do dia 25 para 26 de julho, no bairro Londrina. Segundo apurado, após matar e esquartejar a mulher, o filho acondicionou as partes do corpo em bolsas, malas e sacolas, limpou o local dos fatos e descartou as embalagens na rua.

O que você também vai ler neste artigo:

  • Sobre o crime
  • Desdobramentos

Na ocasião, o homem foi preso em flagrante e permanece, até o momento, no Sistema Prisional. A Delegada Adriana das Neves Rosa, titular da Delegacia Especializada de Homicídios em Santa Luzia, conta que durante as investigações chegou à polícia a informação de que o suspeito sofreria de um possível distúrbio psiquiátrico.

Foi solicitado um exame de sanidade mental e o diagnóstico é de inimputabilidade, ou seja, que ele possui doença mental e não tinha consciência da ilicitude do fato à época”, explica.

O resultado do laudo de sanidade metal não interfere na condução das investigações. As apurações foram concluídas e o suspeito irá a julgamento. A Delegada Regional Ana Paula Gontijo explica que, nesses casos, a pena é substituída por medida de segurança.

A diferença de uma pena restritiva de liberdade para a aplicação de uma medida dessas é que a primeira tem um quanto – 10, 20, 30 anos – e uma progressão de regime nesse total. Já a medida de segurança não tem tempo certo e é avaliada periodicamente”, esclarece.

O inquérito policial já foi encaminhado pela PCMG à Justiça.

Sobre o crime

O trabalho investigativo indica que a ação do suspeito ocorreu em um intervalo aproximado de dez horas. As partes do corpo da vítima foram depositadas em dois locais, sendo os membros e a maioria das vísceras descartados em via pública dentro de bolsas; e parte das vísceras e a cabeça lançados em um córrego. A Delegada Adriana Rosa relembra que, para o descarte das sacolas, o suspeito contratou serviço de carreto e acompanhou o motorista, apontando o lugar para despejá-las, uma região que fica entre Belo Horizonte e Santa Luzia.

Segundo a Delegada, o envolvimento do prestador do serviço ou de outra pessoa no crime foi afastado.

Durante os trabalhos investigativos, a equipe descartou de maneira cabal a participação de terceiros, em especial, do senhor que realizou o carreto. O filho da vítima tomou o cuidado de colocar várias roupas para absorver o sangue e impedir que qualquer cheiro diferente pudesse causar suspeita”, explica.

Os membros do corpo foram localizados por uma testemunha que, interessada nos objetos jogados fora, ao abrir as bolsas, descobriu tratar-se de partes humanas. As Forças de Segurança foram acionadas e iniciado o trabalho de apuração. Por meio de levantamentos no local, policiais encontraram um trabalho escolar com o nome da vítima e, associado a outros levantamentos, como imagens de câmeras de monitoramento, foi possível chegar ao suspeito e ao local do crime. Já a cabeça foi encontrada, dois dias após os fatos, pela filha da vítima com a ajuda de um policial militar.

Desdobramentos

De acordo com a Delegada responsável pelo caso, havia um contexto de conflito entre o investigado e a vítima, podendo o crime estar relacionado a esse fato. A equipe também levantou que o suspeito se interessava por estudos bíblicos e encontrou registro de um ritual em que um animal era sacrificado para expiação de pecados.

Esse ritual bíblico apresenta a metodologia de desmembrar o corpo pelas juntas e lavar as parte do animal em água corrente, e se assemelha muito a esse desmembramento e esquartejamento”, revela.

Após apurações e resultados de perícias, a equipe chegou à conclusão de que a mulher provavelmente foi morta enquanto dormia, quando só estavam mãe e filho na casa.

Não identificamos lesões de defesa na vítima”, observa a Delegada, ao completar que o laudo de necrópsia aponta que a causa da morte foi por traumatismo cranioencefálico, provocado por instrumento cortocontundente. O objeto não foi identificado. Segundo a Delegada, também foi constatado que o local foi limpo após os fatos e o suspeito teria seguido sua rotina normal. A filha da vítima inclusive esteve na residência na manhã seguinte ao crime e não percebeu nada diferente, constatando somente que a mãe não se encontrava.